Carnaval 2022 Dexaketo Samba Grupo Especial RJ 2022

Acadêmicos do Salgueiro – Sambas Finalistas – Carnaval 2022

*** LETRA DOS SAMBAS ***

SERENO e Cia (00:07)

NA PELE A COR DA NOITE
A ESPERANÇA NO BRILHO DO OLHAR
MEU POVO FOI CASTIGADO NO AÇOITE
AINDA HOJE SINTO A LÁGRIMA ROLAR
MAS VOU SONHAR, LUTAR POR IGUALDADE
ACREDITAR QUE O SOL DE UM NOVO DIA VAI RAIAR
ESTOU VIVENDO DESSE JEITO SUFOCADO
PELO RACISMO, PELA DISCRIMINAÇÃO
“VIDAS NEGRAS IMPORTAM”
CHEGA DESSA FALSA ABOLIÇÃO

FAZ DE NOVO TAMBOR, MINHA ALMA CANTAR
A BAIANA GIRAR, PRA ME ABENÇOAR
CADA QUILOMBO, MEU LEGADO, MEU TERREIRO
PEQUENA ÁFRICA NO RIO DE JANEIRO

CELEBRAR A VIDA…
ALIMENTAR O CORPO SEMEAR A PAZ
A ARTE NEGRA É RAIZ PLANTADA NESSE CHÃO
SABEDORIA DOS ANCESTRAIS
SAMBA, JONGO, CAXAMBU, CAPOEIRA
A NEGRITUDE ESTA EM CADA UM DE NÓS
NA INSPIRAÇÃO DO “MESTRE SABIÁ”
ECOA A NOSSA VOZ

“EU SÓ QUERO É SER FELIZ”, LIVRE DE VERDADE
E DAR UM FIM NESSA DESIGUALDADE
ENQUANTO A LUA BRILHAR, O VENTO SOPRAR
O RIO CORRER PRO MAR E A CHUVA CAIR
PUNHO CERRADO SOU RESISTÊNCIA
JAMAIS VOU DESISTIR

ÒFI ÀLÁ WE O, ILE LEWA
MEU GRIÔT MEU AXÉ …SALGUEIRO
ÒFI ÀLÁ WE O, ILE LEWA
ÊTA PRETO DE FÉ … SALGUEIRO

ÒFI ÀLÁ WE O , ILE LEWA


Xande de Pilares e Cia (08:15)

No morro onde o samba é dialeto
Toca o banjo do “Guineto”
Chama “Paula” de guerreira
No forro, onde o negro dá no couro
Quem apita é “Mestre Louro”
Professor é “Noel Rosa de Oliveira”
Pelas vidas revendidas no leilão
No Valongo sufocado
Pela argola da opressão
Tantas vozes na miséria do cortiço
Tantos gritos de excluídos e cambaios
Nessa abolição que é tão fajuta onde o negro só labuta
Ainda é 12 maio

Nasceu liberdade no ventre matamba
Pra alguns entidade, pra nós orixá:
A identidade, de Keto e Angola
É o chão da escola de “Babão” e “Anescar”
Nasceu liberdade no ventre matamba
Pra alguns entidade, pra nós orixá:
A mãe tempestade, a pedra que rola,
Que embola e desembola
Ao cantar meu “Sabiá”

Ê Camará ê Camará
Eu fui batizado na roda de capoeira
Resistir é meu legado
Existir minha bandeira
Sigo de punho cerrado
Com Xangô rei da pedreira

Ôô Ôô Mocambo da raça
Não teme a mordaça
Só treme afoxés
Ô ô sentinela do preceito
“Bala” contra o preconceito
“Calça Larga” sobre os pés

Os pés que riscam esse chão sagrado
Mostrando ao mundo o seu gingado
Dançando seus batucajés
Onde eu nasci e fui criado
Salgueiro meu torrão amado

Não tem chave ou cadeado
Nem corrente na senzala
Meu quilombo é encarnado
Preta voz que não se cala
Quando eu pego no ganzá
“Isabel” vai pro terreiro
Arreda que la vem Salgueiro


Demá Chagas e Cia (13:01)

UM DIA MEU IRMÃO DE COR
CHOROU POR UMA FALSA LIBERDADE
KAO CABECILÊ SOU DE XANGÔ
PUNHO ERGUIDO PELA IGUALDADE
HOJE CATIVEIRO É FAVELA
DE HERDEIROS SENTINELAS
DA BALA QUE MARCA, FEITO CHIBATA
VERMELHO NA PELE DOS MEUS HERÓIS
LUTARAM POR NÓS, CONTRA A MORDAÇA
Ê MÃE PRETA , MÃE BAIANA
DESCE O MORRO PRA FAZER ESCOLA
ME FORMEI NA ACADEMIA
BACHAREL EM HARMONIA
EIS AQUI O MEU QUILOMBO, HISTÓRIA

Ê GALANGA Ê
REI ZUMBI OBÁ
PRETA AQUI VIROU RAINHA XICA
SOU A VOZ QUE VEM DO GUETO
RESISTÊNCIA NO TAMBOR
PILÃO DE PRETO VELHO EU SOU

NO RIO BATUQUEIRO
MACUMBA O ANO INTEIRO
NÃO NEGO MEU VALOR, AXÉ
GINGADO DE MALANDRO
KIZOMBA E CAPOEIRA
CAXAMBU E JONGO, FÉ NA REZADEIRA
TEMPERO DE IAIÁ, NÃO TENHO MAIS SINHÔ
E NUNCA MAIS SINHÁ
SAMBO PRA RESISTIR
SEMBA MEUS ANCESTRAIS
SAMBA PELOS CARNAVAIS
TORRÃO AMADO O LUGAR ONDE NASCI
O POVO ME CHAMA ASSIM

SALGUEIRO, SALGUEIRO
O AMOR QUE BATE NO PEITO DA GENTE
SABIÁ ME ENSINOU SER DIFERENTE

Ô Ô Ô Ô Ô Ô Ô…

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