Eu sabia que era proibido me apaixonar! Eu tinha apenas 15 anos, eu não podia perder o melhor momento da vida de um ser humano me apaixonando. Eu tinha que beijar bocas que me desejavam, abraçar corpos que me queriam, mas não… Eu fiz o proibido! Ah, mas também! Ela era linda demais! Porém, ela nem me notou.
Era um dia de muita chuva, quando a vi no Aracapé/Parangaba 2. Até hoje, lembro dela, vestida com a camisa do Salesiano, com uma bela trança de cabelo e usando um óculos super estiloso. Ela estava triste, parecia que tinha tirado nota ruim na prova, foi pelo menos, o que disse a amiga dela, que estava ao seu lado. Eu tentava não ficar olhando direto, vai que ela me achasse um tarado. Mas meu coração batia acelerado. Pela primeira vez na minha vida, eu estava apaixonado!
Entretanto, aquele bendito dia, foi o único dia que a vi durante toda a minha adolescência. O pior que ela habitava minha mente e o meu coração de maneira até meio destrutiva.
Quando me mudei do Esplanada Mondubim, visto que minha família resolveu morar no Benfica, nunca mais ousei encarar o Aracapé/Parangaba 2. Mas dos 15 aos 18 anos, sempre estive naquele ônibus, não como condução, mas para me reencontrar com ela.
Porém a vida seguiu! Eu consegui a esquecer! Namorei, casei, divorciei, casei de novo, divorciei novamente… Nenhum filho, nenhum laço de amor com pessoas fora da família. Parecia uma sina inevitável!
Um certo dia, fazendo compras no Shopping Parangaba passo por uma mulher que me lembrava bastante aquela menina do Salesiano. Eu sorrio e indago a mulher, se ela alguma vez na vida andou de Aracapé/Parangaba. Ela fez uma cara esquisita, mas respondeu que desde a adolescência não pegava aquele maldito ônibus, pois era o ônibus que ela pegava para ir ver o seu primeiro namorado, um cachorro que a traiu com a vizinha dele.
Eu me apresento, digo o meu nome, ela diz o dela, e vamos tomar um sorvete. Trocamos contato, e passamos a nos conhecer. Sim, aquela mulher era a menina do Aracapé/Parangaba 2. Nunca contei a história que conto para vocês agora, mas até hoje, agradeço a Deus por fazer ela o amor da minha vida.
Aliás, quis o mesmo destino implicante de outro momento, que namorássemos, casássemos e tivéssemos o nosso primeiro filho.
FIM – E cuidado com esses amores de ônibus!



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