Dexaketo

Simplesmente Gaiato

A Menina dança

Ela tinha 6 anos, quando viu sua mãe ser aplaudida por um teatro lotado! Leazinha via ali algo que a encantou para o resto da vida!

Depois daquele dia, ela estava decidida – Seria Bailarina. Sua mãe sorriu, pois sua filha queria ser igual a ela, mas avisou que a vida de quem ama a dança não era tão bela quanto a dança! Viver da dança era se superar, não negar as dores no corpo e estar sempre pronta para desafios diários, por vezes, insuportáveis. A dança é poesia, mas alcançar a beleza é uma prosa violenta – Afirmou-a. Leazinha não queria saber e disse para sua mãe que iria viver a dança, e assim foi… mas também foi como sua mãe falou!

Por anos, ela dividia as aulas de dança, com as aulas do colégio, com a necessidade de ser criança, mas viver o que tanto queria. Posteriormente, dividia os treinos e ensaios com aulas, estágios e a vida comum de um adolescente. Perdeu namorados e pseudoamigos que não aceitavam ficar em segundo plano. Dançar era o seu propósito, era sua vida.

O pai de Leazinha, Sr. Abreu, ficava deslumbrando com a filha nos palcos, e mesmo separado da mãe, a Super Bailarina Amanda Gouveia, sempre ajudava a filha. Podia ter sido um marido péssimo, mas era um senhor pai, aliás, era um senhor pai, pois Leazinha nunca precisou avisar nada, ele era muito presente e tinha guarda compartilhada. Pelo sonho de Leazinha, tanto a sua mãe, quanto o seu pai, lhes deram o suporte necessário. Na primeira viagem para Joinville, foi tanto pontos de rifas vendidas que o prêmio aumentou, para a alegria do sorteado.

Quando adulta, era a bailarina mais esperada dos espetáculos no Teatro José de Alencar. Tamanha desenvoltura a levou para o Bolshoi. A Rússia era fria, entre as ótimas pessoas que conheceu, viveu um drama parecido com a do filme Cisne Negro, mas nada a derrubava, e se derrubasse, ela tinha “casca” suficiente para se reerguer.

O Brasil a admirava, a Rússia se encantava, o mundo era todo seu. Ninguém era tão incrível quanto Leazinha nos palcos de dança no mundo!

Um certo dia, em entrevista no Domingão com Huck, foi questionada sobre quem era sua maior inspiração no mundo da dança. Chorando, Leazinha afirmou que sua mãe Amanda Gouveia, pois se não fosse aquele primeiro dia, aquele que ela viu sua mãe dançando no Teatro São José, jamais ela conheceria a beleza e a felicidade que é dançar.

A menina seguiu a dançar e fazer do mundo um grande Teatro São José, o que ela não sabia, era que várias meninas encantaram-se com ela, da mesma maneira que ela encantou-se por sua mãe. O mundo gira, igual uma bailarina e segue o seu fluxo natural até os aplausos perenes.

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