Na Porta da Farmácia
Era uma noite muito chuvosa em Fortaleza. Eu estava na Avenida Virgílio Távora. Tinha acabado de fazer compras no Mercadinho São Luiz. Naquela noite iria dormir na casa de uma amiga minha, tínhamos combinado de fazer “mó” bagunça para aperrear o juízo da irmã dela. Porém, a chuva não me permitia pedir o Uber.
Quanto mais chuva caía, mais caro ficava o Uber. Uma viagem que deveria custar 20, estava saindo por 60 Reais. O São Luiz fechou, pois já passara das 22 horas, me restando se abrigar na porta da Drogasil até conseguir o tal carro por aplicativo. Nem mesmo pedindo o Uber referenciando o Edifício Roger ajudava naquele momento. Já estava conformado que não iria mais aperrear o juízo da irmã da minha amiga.
Naquele instante de conformismo, uma linda mulher para do meu lado. Na verdade, ela só se abrigava da chuva. Ela olha para mim e pergunta que horas eram, naquele instante. Eu afirmo que eram quase 23 horas. Ela ri e manga da minha roupa encharcada. Eu falo que cheguei ali no momento em que a chuva engrossou. Ela olha para mim e pergunta se eu queria me enxugar na casa dela. Eu agradeço o convite, mas o nego. Tinha medo de ser um golpe. Ela aponta para o apartamento da frente e afirma que viu toda minha tortura na chuva pedindo Uber e que estava apenas se solidarizando.
Ela me perguntou se eu aceitava um beijo. Eu aceitei. Ela me beijou, ali mesmo, na porta da Farmácia.
Com a farmácia aberta, esqueci o Uber, e gastei meu curto dinheirinho com “responsabilidade”.
Esperamos a chuva passar um pouco, pois estavam ótimos os beijos na porta da Farmácia.
Quando a chuva afinou, nos dirigimos até o apartamento daquela caridosa mulher.
Após uma noite inesquecível, ao acordar, tinha “café” na minha cama e um bilhete escrito à batom, onde ela afirmava que eu querendo, podia passar a noite ali com ela, sempre que possível. Comi o café, guardei o bilhete e fui para casa.
Toda vez que a chuva caía a noite, era nobre o motivo de ir à porta da Farmácia, esperar por ela e ter outras noites memoráveis.
Sobre minha amiga e sua irmã… elas deram “mó” força para aquele “Conto de Fadas do Tylenol”