Vitinho, como era conhecido pela população, era o famoso “Filho do Coronel”. Nem aí para o povo, nem mesmo os de suas Fazendas, sabia que estava com a vida ganha, logo não fazia questão de saber lidar com os problemas das Terras de Seu Pai, o Coronel Valdinei Rodrigues.
O Coronel não era nenhum homem santo, mas sabia lidar com o povo, e logo, o que era dito por ele era lei, quem ele pedia para o povo eleger, o povo elegia. Não à toa, foi prefeito de São José dos Sonhos Novos, mais vezes, que qualquer outro. Ele era uma peste, mas era carismático.
Entretanto, o que Valdinei e Vitinho não contavam era que uma filha de agricultor iam encher o saco deles – Leazinha! A menina que fez a Federal pelo SISU e tinha se formado em Engenheira Agronômica e Ambiental pela UFC, resolveu voltar para São José dos Sonhos Novos para mudar a vida de exploração de seus pais e agricultores menores da região.

Como não era feito há séculos, Leazinha desafiou a Família Rodrigues, e exigiu de Valdinei condições dignas para os empregados do Coronel e que ele aprendesse a lidar com a natureza local, parando de poluir nascentes, além de exigir que ele parasse de vender casas que ele vendia para o povo em terras de rios intermitentes.
O coronel tentou resolver no modo prático, botando capangas para dar fim na vida da moça, entretanto, Leazinha conseguiu se salvar da emboscada.
O tiro saiu pela culatra, Leazinha não se acovardou, seguiu na luta e ainda saiu candidata à Prefeita. Valdinei apostou em Vitinho para concorrer com a moça. Como disse anteriormente, ele colocava qualquer um, e esse ia lá e ganhava a Eleição.
Entretanto, dessa vez, Valdinei apostou errado! Ninguém gostava de Vitinho, principalmente, pela fama de encostado que ele tinha. Leazinha vencia fácil, apontavam pesquisas.
Vendo que a situação estava crítica, Valdinei soltou várias “Fake News”, como a que dizia que Leazinha “fazia a vida” em Fortaleza ou que tinha feito pacto com o cão. Porém, o povo não acreditou, visto que todos conheciam os pais de Leazinha e a própria Leazinha.
Em uma última tentativa, Valdinei comprou os votos e ameaçou seus funcionários. “Quem votar nessa rapariga, perde o emprego!” – Amedrontando todos. Porém, Leazinha era peituda, e no último comício anunciou que o voto era secreto, e pela urna eletrônica era impossível saber quem votou em quem. Sorrindo avisou: “Sejam desonestos, recebam o dinheiro desse safado, falem que votou naquele encostado do filho dele, mas na urna digitem o meu número! Ele nunca vai saber!”
No último comício de Vitinho, teve show de artistas locais, disfarçados de apoio político, churrascada, falas de Valdinei, mas nada de Vitinho dar um pio. Valdinei sabia que seu filho era um encostado. Além disso, Vitinho só iria assinar os papéis, quem continuaria no controle da cidade seria Valdinei.
Após a apuração – Vitória absurda de Leazinha! Valdinei veio a público falar que as urnas eram fraldadas. Mas ele percebeu que o povo mentiu para ele, que recebeu a grana, que curtiu a churrascada, mas na urna, votaram em Leazinha.
Como o inútil que era, Vitinho, completamente alcoolizado, resolveu ir matar Leazinha, porém no caminho até a casa dos pais de Leazinha, capotou e morreu.
Valdinei precisou aturar Leazinha por 4 anos na sua cidade, e depois em outros cargos na política. Ela começou a fazer as mudanças prometidas. Demitiu todos os apadrinhados de Valdinei da prefeitura. Perturbou os Deputados e o Governador por verba para construir os primeiros postos de saúde da cidade, além de reformar as escolas. Tirou as família de dentro do Rio, derrubou as casas que o Rio derrubava na época da cheia. Lutou por mais verbas ao Garantia-Safra e ainda fez uma pequena reforma agrária, usando dinheiro de emendas parlamentares para comprar Terras e repassar à agricultores. Sem falar que buscou investimentos para tornar a zona urbana da cidade mais viva e mais comercial. O povo amava Leazinha, Valdinei odiava.
Leazinha, a nossa heroína!


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