Bernardo, 51 anos de idade, um homem honesto, trabalhador e querido por onde passa. Para manter uma vida tranquila e com suas contas pagas, trabalha em dois lugares. Na parte da tarde, era entregador do Ifood, à noite/madrugada, garçom.
Na primeira batalha costumava ser bem ágil, não era fácil ser um bom entregador tendo que lidar com o trânsito caótico de Fortaleza. Ele não costumava passar no sinal vermelho, só quando a entrega necessitava de urgência. Ele não era santo, mas também não era capeta. Era um simples e arretado motociclista.
Na segunda batalha, era um dos melhores garçons do Restaurante Paras Nälkä do seu melhor amigo, João. Apesar da diferença de idade, já que João tinha 25 anos, os dois eram quase “unha e carne” diante a forte amizade que um simples laço empregatício gerou entre ambos. Aliás, Bernardo detestava ser chamado de “Pai” por João, que fazia isso, às vezes, só para irritar. João, filho de um finlandês com uma brasileira, costuma dizer que era um “Empresário de Esquerda”, visto que sua colocação no mercado sempre visava à qualidade do serviço através do bem-estar de seus funcionários. Seria difícil alguém querer sair de um lugar aonde seria valorizado com dinheiro, além dos direitos trabalhistas, todos pagos bem acima do que a lei ordenava.
Bernardo sempre elogiava João para os outros entregadores de Ifood. Enquanto João, afirmava que o mundo seria outro, se quem tem muito, repartisse mais.
Mas a vida tem de suas surpresas, e essa história começa MESMO após uma certa tarde. Bernardo estava indo fazer uma entrega pelo Ifood para uma mulher que morava em um apartamento nos arredores da Aldeota. Ao chegar lá…


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