Aos 17 anos, Leazinha vivia um turbilhão de emoções. O último ano do Ensino Médio trazia consigo uma pressão que ela nunca havia sentido antes. O ENEM era a sombra que pairava sobre todos os seus dias, como se fosse uma montanha intransponível. Entre as provas semanais e simulados no colégio, ela tentava manter o foco, mas sua mente parecia sempre divagando.
Os problemas começavam em casa. Seus pais, embora bem-intencionados, não entendiam suas escolhas. Para eles, Leazinha deveria abandonar o vôlei e concentrar todas as suas energias nos estudos. “Você tem um futuro brilhante pela frente”, dizia sua mãe, com um tom preocupado. “Mas só se priorizar o que realmente importa.” Porém, para Leazinha, o vôlei era mais do que apenas um esporte; era sua paixão. Fazia parte do time juvenil do clube LEJ há quatro anos e sonhava em ser atleta profissional. A cada treino, ela se sentia mais perto de conquistar esse sonho, mesmo que seus pais insistissem que era apenas uma distração.
No colégio, Leazinha também enfrentava desafios. Sua melhor amiga, Luiza, estava igualmente sobrecarregada com os estudos, mas ainda assim encontrava tempo para organizar saídas à praia aos finais de semana. Era nessas escapadas que Leazinha conseguia esquecer, por algumas horas, toda a tensão da vida cotidiana. Com os pés na areia e o som das ondas, ela podia respirar fundo e relaxar. As conversas com as amigas eram cheias de risadas, confissões e planos para o futuro.
Mas nem tudo era leveza. Havia algo – ou alguém – que ocupava constantemente seus pensamentos: Bernardo, o garoto quieto da sala que sentava três fileiras à frente dela. Ele tinha cabelos cacheados e um sorriso tímido que deixava Leazinha completamente encantada. Ela nunca teve coragem de falar com ele, mas passava horas imaginando como seria trocar olhares significativos ou até mesmo conversar durante o intervalo. Essa paixão secreta era seu pequeno segredo, guardado entre cadernos e livros.
No clube LEJ, Leazinha lutava para provar seu valor. Apesar de ser uma jogadora talentosa, ela sabia que precisaria de muito mais dedicação para alcançar seu objetivo. Os treinos eram extenuantes, e muitas vezes ela voltava para casa exausta, arrastando-se para fazer a lição de casa enquanto seus músculos reclamavam. Seu técnico, João, porém, acreditava nela. “Você tem potencial, Leazinha”, ele costumava dizer. “Mas precisa querer isso mais do que qualquer coisa.”
As semanas passavam rapidamente, e a proximidade do ENEM aumentava a ansiedade. Em casa, os conflitos com os pais se intensificaram. Eles não entendiam por que ela insistia tanto no vôlei quando poderia estar estudando mais. “E se você não passar? E se perder essa chance?”, perguntavam, frustrados. Leazinha tentava explicar que o esporte era tão importante quanto os estudos para ela, mas as palavras pareciam não surtir efeito.
Um dia, após um treino particularmente difícil, aonde levou bastante broncas de João, Leazinha decidiu tomar uma decisão. Ela marcou uma reunião com seus pais e, com lágrimas nos olhos, falou sobre seus sonhos e medos. Contou sobre o quanto amava o vôlei e sobre o desejo de conciliar isso com os estudos. Prometeu se esforçar ao máximo para equilibrar ambas as áreas e pediu apoio. Foi um momento vulnerável, mas necessário. Para sua surpresa, seus pais, embora hesitantes, finalmente entenderam. Concordaram em apoiá-la, desde que ela mantivesse boas notas e demonstrasse comprometimento.
Com o apoio renovado, Leazinha começou a ver resultados. Seu desempenho no colégio melhorou, e ela foi promovida a capitã do time no clube LEJ. Mesmo assim, sua paixão por Bernardo continuava latente. Certa vez, depois de reunir toda a coragem, ela finalmente conseguiu iniciar uma conversa com ele durante o recreio. Descobriu que ele gostava de fotografia e compartilhava seu interesse por filmes antigos. Aquelas breves interações trouxeram um novo brilho aos seus dias.
Quando chegou o dia do ENEM, Leazinha entrou na sala com o coração acelerado, mas determinado. Sabia que, independentemente do resultado, havia dado o melhor de si. Ao final do exame, ela encontrou Bernardo no portão da escola. Ele a cumprimentou timidamente e disse: “Boa sorte. Tenho certeza de que você foi incrível.”
Aquele comentário simples fez todo o esforço valer a pena. Leazinha até cantarolava na mente. Um sorriso que parecia pregado na cara.
Meses depois, Leazinha recebeu as aprovações que tanto esperava: Aprovada em Educação Física na UFC e a convocação para o time principal do clube LEJ. Embora ainda houvesse desafios pela frente, ela sabia que tinha superado os maiores obstáculos. Aos 17 anos, Leazinha aprendeu que, com paixão, perseverança e apoio, é possível encontrar equilíbrio entre os sonhos e a realidade.
E quem sabe, talvez, algum dia, aquele garoto tímido pudesse fazer parte dessa nova fase de sua vida.


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