Dexaketo

Simplesmente Gaiato

A Polêmica Bananada

O som de uma colher batendo contra a mesa ecoava na pequena cozinha. Leazinha olhava fixamente para João, que estava sentado à mesa, os braços cruzados como muros intransponíveis.

— Você vai beber esse copo de bananada agora, João! — gritou ela, sua voz cortando o ar como um chicote.

João, um adolescente magro de 11 anos com olhos firmes e teimosos, respondeu sem hesitar:
— Não vou, mãe. Não gosto de bananada. Nunca gostei!

Leazinha respirou fundo, tentando conter a raiva crescente, mas foi em vão. Ela apontou para o copo amarelo-claro sobre a mesa, os nós dos dedos brancos de tanta força.
— Eu passei horas fazendo isso pra você! Horas! E agora você vem com essa desculpa ridícula?

— Não é desculpa! — retrucou João, levantando-se da cadeira. — É verdade! Não consigo entender por que você insiste nisso todo dia!

— Porque eu me preocupo com você! — explodiu Leazinha, jogando as mãos para o alto. — Bananada é saudável! Fortalece! Você nunca come direito, está sempre fraco… Quer virar um molenga?

João revirou os olhos, exasperado.
— Mãe, eu como outras coisas! E mesmo que não comesse, isso não quer dizer que eu tenha que engolir algo que odeio!

Leazinha agarrou o copo e o colocou novamente à frente dele, quase derramando o líquido.
— Beba. Agora. Ou eu juro que vou tirar seu celular pelo resto do mês!

— Tira então! — desafiou João, cruzando os braços ainda mais apertado. — Mas eu não vou beber.

Os dois se encararam por um longo momento, o silêncio pesado sendo interrompido apenas pelo tique-taque do relógio na parede. Finalmente, Leazinha largou o copo na mesa, olhou nos olhos de João e ameaçou:


— Se não beber, vai ficar proibido de ver o Jogo do Palmeiras.

Depois dessa, não tinha jeito, João bebeu tudo, sem pestanejar. Sem Palmeiras, jamais!

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