Acordo antes do sol, cansado já do dia,
Minhas mãos são calosas, meu corpo é dor,
Mas o patrão ignora a luta que é a minha.
Trabalho como um boi, sem ter voz nem lugar,
Meu suor é moeda que não me enriquece,
Enquanto outros vivem do que eu vou semear.
O imposto me suga, a conta não me espera,
E o pão que como é feito de ilusão,
Pois cada mês é guerra, e eu, a vítima inteira.
Sonho em ter um teto, um lar onde eu respire,
Mas o aluguel grita mais alto que meu grito,
E o país me obriga a morrer só pra subir.
Dizem que com esforço tudo se alcança,
Mas esforço sem sorte é solidão pura,
E meu suor escorre, mas não me avança.


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