Em segredos que a luz jamais desvela,
Arde um fogo nas sombras do quarto,
Onde a mente, traiçoeira e singela,
Tece encontros que o corpo suplanta.
Seu olhar, que o pudor não comenta,
Traduz versos que os lábios negam;
Na dança do amigo, a alma inventa
Um amor que as paredes entrevejam.
Nas entrelinhas do riso contido,
Pulsa um rio de audácia e pecado;
É o desejo, voraz e aflito,
Um eclipse no céu do casado.
Mas a honra, qual âncora inquieta,
Preserva a alma na margem secreta.


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