Ó mundo vão, teu véu de falsa glória
Encobre a dor que em pranto se consome,
Tua máquina rápida na história
Devora o tempo e ao ser humano assome.
Que valem likes, que valem tantas telas,
Se a alma tua jaz vazia e nua?
A luz do sol já não aquece as velas,
Pois és sombra que a si mesma esfuma.
Teu ouro falso, feito de pixel,
Engana os olhos, mas mata o espírito;
Buscas no éter o que é terrestre e vil,
E entre abismos de vidro vais delírio,
Que o barroco do agora é sem fim:
Vives no caos, mas chamas-lhe de mérito.


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