Um matuto que acabara de chegar na cidade grande, estava meio sem eira, nem beira. Ele que tinha tido suas terras tomadas pelo coronel que manda no seu interior, estava querendo um lugar ao sol na Selva de Pedra. De repente, o destino o coloca diante um nobre Deputado. O deputado esperto, percebe que o matuto tinha tudo para ser o homem certo para as próximas Eleições. Além disso, bobo como era, podia entrar nos esquemas sem sequer notar. O deputado faz a proposta pro matuto, que nem imaginava as reais intenções dele, e aceita.
É tiro e queda, o matuto se torna o deputado mais votado da história. Já no primeiro dia de mandato, o matuto coloca 20 assessores do partido em seu gabinete. O deputado o fez colocar parentes de deputados eleitos, além de candidatos derrotados para “trabalhar” para ele. O ex-deputado, agora chefe de gabinete, pede para o Matuto para cuidar dos assuntos relacionados aos assessores. O Matuto aceita, em troca pede para que os deputados da sua base, o ajude a aprovar uma medida que favoreça os matutos a não perderem suas terras para os coronéis. O chefe de gabinete diz que para isso acontecer, o matuto ia precisar garantir mais cargos para familiares de outros deputados.
O matuto resolve ir ver que bagunça era aquela no congresso. Após uns meses dando uma de detetive, ele descobriu que essa história de nepotismo não havia acabado por ali, ao invés dos deputados colocarem seus parentes em seus gabinetes, eles faziam as respectivas trocas. Outra descoberta foi que o chefe de seu gabinete “comia” parte dos salários dos assessores, em troca, esses assessores só batiam o ponto e nem apareciam por lá. O matuto ver que isso era corriqueiro por ali. Ele resolve então dar o troco. Chamou todos os deputados de seu partido e alguns outros da mesma base para um grande jantar em dos principais restaurantes de Brasília.
No restaurante, o matuto chega antes de todo mundo, puxa o gravador e prende na parte debaixo da mesa. Os deputados vão chegando. Depois de muito vinho, vodka e filé mignon, eles vão falando tudo o que se tem direito. Era deputado-pastor que sustentava acompanhantes, era deputado-militar que era gay irrustido, era deputado-sindicalista que dividia dividendos com patrões, e obviamente, era deputado fazendo rachadinha para todo lado.
Ao fim do jantar, o matuto foi o último a sair. Ele pegou o gravador e entregou na sede da Globo Brasília. Pediu para aquilo ir ao ar no Jornal Nacional, depois dele fazer um pronunciamento no púlpito na Câmara dos deputados à tarde.
No pronunciamento, o matuto conta sua história e fala sobre sua amizade com seu chefe de gabinete. Além disso, anuncia que estava abrindo mal do cargo de deputado. Naquele momento, todos se surpreendem. Ele desce do púlpito e todos vão atrás dele. Ele consegue fugir e chegar em sua sala. O chefe de gabinete quis saber que história era aquela, o matuto tira a gravata e afirma que a noite, ele seria apagado, então, antes que isso acontecesse, ele ia conhecer o mar. Ele vai embora do congresso e pega o primeiro voo para o litoral.
À noite, no Jornal Nacional, a gravação vai ao ar. Todos passam a entender a renúncia do matuto. Imediatamente, uma caça começa. De frente para o mar, em uma praia deserta, dois ex-assessores matam o matuto.
No fim da história, os denunciados foram reeleitos e até hoje mandam ver na rachadinha. Os que não foram eleitos viraram assessores dos que foram. Atualmente, ninguém sabe quem matou o matuto, se foi a política ou o coronel que o expulsou de suas terras apenas para ampliar seu extenso latifúndio.
Essa história é mera ficção, se pareceu com a realidade, é sinal de que estamos completamente perdidos.



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