Dexaketo

Simplesmente Gaiato

O Encontro no Ônibus

Era uma manhã cinzenta de outono, e o vento frio soprava pelas ruas da pequena cidade. Lucas, como sempre, pegou seu ônibus, sentou-se na janela, observando os galhos das árvores balançarem ao sabor do vento. O ônibus estava quase vazio, mas tinha alguns trabalhadores sonolentos e estudantes com fones de ouvido.

Na terceira parada, uma menina subiu. Ela tinha cabelos castanhos cacheados que caíam sobre os ombros, olhos vivos e um sorriso discreto. Vestia um casaco vermelho que parecia brilhar mesmo sob o céu nublado. Ela se sentou ao lado dele, sem hesitar, como se aquele lugar fosse destinado a ela.

— Bom dia — disse ela, com uma voz suave, mas cheia de energia.

Lucas ficou surpreso. Não era comum alguém iniciar conversas no ônibus, especialmente com estranhos. Ele respondeu timidamente:

— Bom dia.

A partir daquele momento, algo inesperado aconteceu: eles começaram a conversar. A menina, cujo nome era Clara, falava sobre tudo — desde livros que adorava até histórias engraçadas de sua infância. Ela contou que gostava de desenhar e que sonhava em ser ilustradora. Lucas, normalmente tímido, encontrou-se à vontade com ela. Compartilhou seus próprios interesses, como sua paixão por astronomia e as horas que passava observando as estrelas.

O tempo voou durante aquela viagem. Eles riram juntos, trocaram opiniões e até discutiram sobre filmes. Era como se já se conhecessem há anos. Quando o ônibus encostou na parada antes da de Lucas, Clara levantou-se rapidamente.

— Essa é a minha — disse ela, colocando a mochila nas costas.

Lucas sentiu um aperto no peito. Queria continuar conversando, mas não teve coragem de pedir seu número ou qualquer forma de contato.

— Até mais! — gritou Clara, acenando antes de descer.

Ele ficou olhando pela janela enquanto ela caminhava pela calçada, o casaco vermelho destacando-se entre os tons cinzentos da manhã. Quando o ônibus seguiu em frente, Lucas percebeu que mal sabia nada sobre ela, nem mesmo onde estudava.

Nos dias seguintes, ele tentou pegar o mesmo ônibus no mesmo horário, torcendo para revê-la. Observava cada passageiro que entrava, esperando encontrar aquele rosto familiar. Mas Clara nunca mais apareceu.

Passaram-se semanas, e a lembrança dela permaneceu vívida na mente de Lucas. Ele começou a questionar se aquilo havia sido real ou apenas fruto de sua imaginação. No entanto, a sensação de felicidade que sentira durante aquela breve conversa continuava presente, como um eco distante.

Um dia, enquanto voltava para casa, Lucas avistou um mural na praça central da cidade. Entre os desenhos coloridos, reconheceu algo familiar: uma estrela detalhada, exatamente como as que ele amava observar. Ao lado, uma assinatura: “Clara R.”

Seu coração acelerou. Talvez fosse coincidência, talvez não. Mas, independentemente disso, Lucas soube que aquela breve conexão deixara marcas profundas nele. Às vezes, as pessoas entram em nossas vidas por pouco tempo, mas o impacto que causam pode durar para sempre.

E assim, Lucas continuou seu caminho, carregando consigo a memória de um encontro inesperado num ônibus urbano, sabendo que algumas histórias não precisam de finais perfeitos para serem especiais.

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