Leazinha tinha apenas 15 anos quando sua vida mudou completamente. Filha de uma costureira e de um motorista de ônibus, ela cresceu em uma pequena casa no subúrbio de Fortaleza. Desde criança, o futebol era seu refúgio. Enquanto outras meninas faziam dancinhas para o TikTok, ela corria pelos becos do bairro com uma bola velha debaixo do braço. Sua habilidade chamava a atenção dos garotos, mas também despertava preconceitos. “Futebol não é coisa pra menina”, ouvia frequentemente, dos bestas que ela vivia a traçar ou dar canetas.
No colégio, Leazinha encontrou na quadra de esportes um espaço onde podia ser quem realmente era. Jogava todos os dias durante o intervalo das aulas, driblando adversários improvisados e marcando gols impossíveis. Seu talento era evidente, mas ninguém parecia se importar. Até aquele dia.
Era uma manhã como outra qualquer quando um homem alto, de terno e gravata, apareceu na quadra. Era Bernardo, um olheiro contratado por uma universidade americana para encontrar jovens promessas do futebol brasileiro. Ele observou Leazinha por quase uma hora enquanto ela liderava um time misto contra os meninos da escola. Quando o jogo terminou, ele foi até ela.
“Você joga assim todos os dias?”, perguntou Bernardo, com um sorriso curioso.
“Sim, senhor”, respondeu Leazinha, enxugando o suor do rosto.
Bernardo explicou que representava uma universidade na Flórida e que gostaria de levá-la para estudar e jogar futebol nos Estados Unidos. A proposta soou surreal. Leazinha nunca havia saído do Brasil, nem sequer saído do Ceará, e a ideia de cruzar fronteiras parecia uma aventura inalcançável. Mas, com o apoio dos pais e muita determinação, ela aceitou. O único porém que os pais colocaram foi: “Ela só vai se nós formos também” – Falou Seu João e Dona Luiza. Bernardo, obviamente, aceitou o requerimento. Ele não podia era perder aquele talento ímpar para prováveis concorrentes que viriam depois dele.
A adaptação não foi fácil. Nos EUA, Leazinha enfrentou desafios que iam além do campo. A língua era uma barreira constante, e o ritmo intenso de treinos e estudos exigia dela uma disciplina que nunca havia experimentado. Muitas vezes sentiu vontade de desistir, mas lembrava-se das palavras da mãe: “Quem nasce pra brilhar não pode apagar a própria luz.”
Com o tempo, ela começou a se destacar. Seus passes precisos e dribles criativos chamaram a atenção dos treinadores e colegas. Aos 20 anos, já era titular do time universitário e disputava campeonatos nacionais. No entanto, o sonho de vestir a camisa da seleção brasileira continuava vivo em seu coração.
Finalmente, aos 22 anos, recebeu a notícia que mudaria sua vida: havia sido convocada para a seleção brasileira. O momento da estreia chegou em um amistoso contra a França, em um estádio lotado em Paris. Ao entrar em campo, Leazinha sentiu o peso da responsabilidade, mas também a certeza de que pertencia àquele lugar.
O jogo estava equilibrado até os minutos finais, quando o Brasil perdeu uma bola na defesa. A jogada parecia perdida, mas Leazinha correu como nunca antes. Com um corte seco e um toque delicado, roubou a bola e avançou em direção ao gol adversário. Diante da goleira, fez o que sempre soube fazer melhor: chutou com precisão, colocando a bola no canto esquerdo.
O estádio, cheio de franceses, explodiu em aplausos. Era o gol da vitória. Para Leazinha, significava mais do que um singelo amistoso; era a prova de que todo o esforço, sacrifício e lágrimas tinham valido a pena.
Ao final do jogo, enquanto recebia elogios de suas ídolas, como Marta e Gabi Portilho, Leazinha pensou em sua trajetória. Antes de dar uma entrevista para CazéTV chorou de emoção. Da quadra do colégio ao palco internacional, ela provou que os sonhos podem ser alcançados, mesmo quando o mundo tenta dizer o contrário. E agora, com a camisa amarela nas costas, sabia que sua história estava apenas começando.


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