RESUMO
O presente trabalho parte de dois entendimentos: o primeiro, tomado como marco teórico, é desenvolvido por Celso Furtado ao entender que o verdadeiro desenvolvimento econômico de uma nação só será conseguido quando o referencial de desenvolvimento se distanciar dos países centrais e se voltar para as particularidades locais, o que só poderá ser alcançado com a autonomia cultural, possibilitada pela valorização da cultura popular nacional. O segundo, desenvolvido previamente pela autora em sua dissertação de mestrado, diz respeito ao consumo distintivo de fãs transnacionais brasileiros, conhecidos como os melhores do mundo. Diante dessas asserções, indaga-se sobre as possibilidades de traduzir o consumo de fãs transnacionais para fãs brasileiros de produções nacionais anti sistêmicas os fãs de resistência , criando uma audiência apaixonada e engajada em produções arraigadas na nossa cultura popular. Porém, sabendo que o fã é um sujeito próprio da esfera da cultura pop, seria preciso também identificar uma cultura pop de resistência, contra-hegemônica e anti imperialista. A primeira parte do trabalho dá conta de definir conceitos caros à discussão, seja referentes à questão cultural como capital cultural, hegemonia, imperialismo, hibridismo, identidade, dependência e resistência , como à forma como a cultura é desenvolvida sob o sistema capitalista destrinchando a história e a conceitualização da Indústria Cultural, da cultura de massa, da cultura pop, dos ídolos e dos fãs. Já a segunda parte vai em busca do pop brasileiro de resistência, traçando um breve histórico da indústria cultural nacional e abordando casos anteriores de dissidências hegemônicas. Em específico, investiga-se a produção e o consumo de BaianaSystem, banda original de Salvador, Bahia, que mescla gêneros e estéticas nordestinas, brasileiras, latinas e do Sul Global com composições sobre a valorização histórica e cultural local, injustiças sociais, religiões brasileiras, ativismos políticos, cotidiano de classes baixas, etc. A história da banda é marcada por iniciativas de fomentos públicos que a levou para o Carnaval de Salvador, evento que hoje tem Baiana como uma das principais atrações. Para analisar o discurso que cerca esses ídolos e identificar resistências culturais, é realizada uma análise de temática em todas as músicas inéditas da banda e em entrevistas fornecidas por seus membros à veículos midiáticos nacionais. Acerca do consumo dos fãs, foi conduzida uma análise de conteúdo em duas páginas dedicadas a BaianaSystem em mídias sociais e entrevistas em profundidade com os responsáveis por elas. Constatou-se que os membros de BaianaSystem, enquanto originários das camadas populares e que produzem arte visando despertar o senso crítico nelas, podem ser abarcados na classificação gramsciana de intelectuais orgânicos. Seus fãs demonstram apreender as resistências presentes nas obras e no discurso da banda, relatando ter modificado suas formas de enxergar o mundo devido ao pertencimento no fandom. Assim, a despeito da hegemonia imperialista e da estrutura dominante da Indústria Cultural, é possível afirmar que encontram-se possibilidades de resistência cultural na cultura pop o que, ainda que não represente o uma solução definitiva aos nossos problemas de subdesenvolvimento e dependência cultural, certamente oferecem pistas rumo ao enfrentamento destes. Por fim, a análise demonstra a importância do estabelecimento de uma teoria de fãs brasileira consolidada e inspirada em nossas particularidades.
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Autora: Aianne Amado Nunes Costa
Ano: 2025
Periódico: Livraria Digital da USP
Referências
COSTA, Aianne Amado Nunes. Cultura pop de resistência: potências críticas ao imperialismo cultural a partir de ídolos e fãs brasileiros. 2025. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.


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