Em chamas geladas que o peito consome,
Um amor calado, que em sombras se esconde,
Na alma, um véu denso onde o temor responde,
E o grito no abismo do peito não some.
Os teus olhos, astros que o meu caos iluminam,
Mas a voz, sombra frágil, emudesse no ar;
Nos lábios, o encanto que não ouso falar,
E o coração, prisioneiro, em silêncio culmina.
Ah! Que cruel paradoxo o destino me fez:
Ser trovador do amor, mas sem verso ou louvor,
Na alma, um deserto que chama por tua flor.
E assim, entre o pranto e o cósmico revés,
Padeço na covardia que me entranha e dome,
Enquanto teu nome ecoa… e o ardor não some.


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