Leazinha sempre soube o que era ter um irmão. Não porque tinha um de verdade, mas porque Bernardo era exatamente isso — um irmão que a vida deu. Compartilhavam segredos, risos, silêncios pesados e até brigas bobas. Ele era sua âncora, seu porto seguro. E ela, a melhor amiga que ele jamais teria.
Tudo mudou quando Leazinha começou a namorar João. Era um namoro sério, bonito, mas não mudava o fato de que Bernardo continuava sendo seu confidente número um. Ele ouvia, aconselhava, e, mesmo sem demonstrar muito, estava sempre ali.
Até o dia em que ele soltou:
— Vou viajar. Vou morar em Portugal com a família.
Leazinha achou estranho. Ele nunca havia falado em ir embora. Mas, por orgulho ou medo, não perguntou o porquê. Apenas sorriu e disse:
— Que bom pra você. Vai ser uma experiência incrível.
No dia da viagem, na saída da aula da Universidade, Luiza — prima de Bernardo — puxou Leazinha de lado:
— Ele só está indo embora porque não aguentava mais te ver com João. Ele é apaixonado por você.
O mundo parou.
Leazinha sentiu o coração bater forte. E então, como um raio, veio a certeza: ela também era apaixonada por Bernardo. Sempre foi. Só nunca quis enxergar.
Sem pensar duas vezes, largou a mala, ignorou os chamados de João no whatsapp e correu. Pegou um táxi, chorou, riu, rezou. Quando finalmente chegou ao aeroporto, o avião já estava taxando. Ela implorou para que parassem, mostrou documentos, gritou o nome dele até que, milagrosamente, ele apareceu.
— Bernardo!
Ele se virou. Surpresa, tristeza, saudade. Tudo em seus olhos.
— Leazinha? O que você está fazendo aqui?
— Eu vim te impedir de ir. Porque eu não quero que você vá. Porque eu te amo. Porque eu sempre te amei, e só agora entendi.
Bernardo a encarou por um segundo eterno. E então, com aquele meio sorriso que ela tanto conhecia, respondeu:
— Então você veio me buscar?
— Vim.
Ele largou a mala, caminhou até ela e a abraçou com toda a força do mundo. E ali, no meio do aeroporto, entre olhares curiosos e vozes abafadas, Bernardo e Leazinha se encontraram.
Não precisaram de palavras. Apenas de um voo adiado e um amor que valia a pena esperar.
… (Continua)


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