Leazinha caminhava pela calçada molhada, o guarda-chuva pendurado em um braço enquanto a outra mão segurava uma pasta de couro gasto. A faculdade havia ficado para trás; ela era agora oficialmente bacharel em Administração. No entanto, aquele diploma que tanto prometera parecia não abrir portas. Currículos enviados por e-mail, entrevistas frustradas e recusas educadas. O mercado estava saturado, e Leazinha sentia-se invisível.
Certo dia, sentada no sofá apertado do seu minúsculo apartamento, ela folheava distraída revistas velhas que encontrara em uma caixa na garagem do prédio. Uma delas chamou sua atenção: uma edição antiga sobre economia doméstica. Entre receitas caseiras e dicas de organização, um artigo falava sobre pequenos negócios iniciados dentro de casa. Foi então que algo acendeu em sua mente.
Leazinha sempre amou cozinhar. Desde pequena, passava horas ao lado da avó preparando bolos, pães e doces tradicionais. Ela até vendia alguns quitutes na universidade, mas nunca encarara aquilo como algo sério. E se transformasse isso em um negócio?
No início, foi tudo muito simples. Ela começou fazendo brigadeiros gourmet e colocando anúncios nas redes sociais. “Doces da Leazinha” era o nome que escolhera, inspirada nos elogios que sempre recebia das amigas. Os pedidos começaram timidamente — uma festa aqui, um presente ali. Mas logo as encomendas cresceram, impulsionadas pelas indicações satisfeitas dos clientes.
Com o dinheiro inicial, Leazinha investiu em embalagens mais bonitas e diversificou os sabores. Além dos clássicos brigadeiros de chocolate, surgiram versões com limão-siciliano, maracujá e até café com especiarias. Depois vieram os cupcakes, os brownies e as tortas artesanais. Ela percebeu que podia agregar valor ao contar histórias por trás de cada doce: lembranças da infância, homenagens à avó ou ingredientes locais.
A virada aconteceu quando uma influenciadora digital postou uma foto dos brigadeiros de Leazinha em sua página. Em poucas horas, centenas de mensagens inundaram o celular dela com novos pedidos. Leazinha mal conseguia acompanhar a demanda sozinha. Contratou ajuda temporária, depois alugou uma cozinha comercial próxima. Seu negócio saiu do anonimato para se tornar uma referência na cidade.
O sucesso trouxe desafios. Administrar estoques, gerenciar funcionários e lidar com fornecedores exigia habilidades que aprendera na faculdade, mas nunca imaginou aplicar dessa forma. Leazinha descobriu que ser dona do próprio negócio significava trabalhar duro, mas também ter liberdade criativa e controle sobre suas decisões.
Dois anos depois, “Doces da Leazinha” já tinha duas lojas físicas e entregava para todo o estado. Ela contratava ex-alunos da universidade para cargos administrativos e oferecia cursos gratuitos de confeitaria para mulheres em situação de vulnerabilidade. O sonho que nasceu em um apartamento apertado havia se tornado uma realidade sólida e impactante.
Certa noite, ao olhar pela janela de sua nova casa, Leazinha sorriu ao lembrar-se de seus dias de incerteza. A vida financeira mudara, sim, mas o maior ganho fora a realização pessoal. Ela não apenas encontrara seu lugar no mundo, como também ajudara outros a encontrar o deles.



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