No silêncio da noite, em dor me encontro,
A contemplar teu rosto tão sereno,
Um sol que nunca viu o meu veneno,
Nem soube o fogo que em meu peito ronco.
Teu riso é um canto que me faz tão longo,
E ainda assim, por ti sigo amansando o senso,
Beleza pura, em luz, jamais defenso,
Pois és visão que não me vê nem sonho.
Quantas vezes te segui sem rumo,
Escondendo versos feitos de desgosto,
Guardando em mim este amoroso fumo?
Mas tu passaste, indiferente ao gosto,
Como a estrela que ignora o pálido lume –
Amor profundo, porém mudo e exposto.


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