Dexaketo

Simplesmente Gaiato

Entre o Silêncio e o Desejo

Há um nome que não digo em voz alta,
um olhar que desvio quando encontro,
um riso que me corta como espada,
e um passado que insiste em não ser morto.

É ela — a sombra da ex que já se foi,
a amiga leal, a confidente fiel,
aquela que ri com os olhos sem ruído,
e me olha como se soubesse demais do céu.

Não é traição, mas quase — um quase eterno,
um beijo que não existe, mas que arde,
um gesto contido, um toque por acaso,
um coração batendo fora do convérde.

Como amar quem vive ao lado da dor?
Quem carrega a memória de quem eu amava?
Como dizer “te quero” sem quebrar um pacto,
sem manchar a história que o tempo lavava?

Ela fala de amizade, de lealdade,
de laços que não se rompem por paixão.
Mas eu sinto, no silêncio das madrugadas,
que o amor não pede licença — ele invade a razão.

É um fogo sem chama, um mar sem margem,
um verso sem rima, um segredo sem voz.
Amo-a em segredo, como se amasse o proibido,
como quem beija a lua em meio à dor.

E assim me consumo, em gestos discretos,
num olhar que se perde, num sorriso contido —
porque o amor, às vezes, não escolhe caminhos,
e nasce justamente onde é mais proibido.

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