Dexaketo

Simplesmente Gaiato

A Modelo e o Vendedor de Hot Dog

Na areia dourada da Praia de Iracema, onde o sol beija o mar e o vento traz sussurros de romance, vivia Bernardo, um homem simples, de sorriso fácil e coração gigante. Com seu carrinho de hot-dog — o mais famoso da orla —, ele encantava turistas com suas combinações criativas: pimenta defumada, molho de abacaxi e um toque de limão. Mas o que ninguém sabia era que o verdadeiro tempero do seu dia era ver Leazinha passar com seus óculos escuros e passos de rainha.

Leazinha não era só uma modelo famosa. Era um ícone. Capas de revistas, campanhas internacionais, olhos que hipnotizavam nas passarelas de Paris e Milão. Mas, naquela praia, ela se sentia humana. E tudo mudou quando provou o hot-dog de Bernardo.

— “Esse é o melhor hot-dog da minha vida”, disse ela, tirando os óculos e sorrindo com sinceridade.

— “Só porque tem meu toque especial”, respondeu ele, mais vermelho que as salsichas que colocava em seus hot dogs

Foi assim, com ketchup e risos, que nasceu um amor improvável. Ele, com suas camisetas brancas encardidas e sandálias de tiras. Ela, com vestidos de grife e voos particulares. Mas nos olhos, o mesmo brilho. Nos corações, a mesma batida.

Eles se encontravam ao pôr do sol, quando o céu pintava o mar de laranja. Comiam juntos, conversavam sobre sonhos, e Bernardo contava histórias de ônibus lotados como se fossem um poeta do asfalto. Leazinha, pela primeira vez, não se sentia observada — sentia-se amada.

Mas o mundo da fama não perdoa o inesperado.

Luiza, a empresária implacável de Leazinha, viu o romance como um risco à imagem da modelo. “Você não pode se envolver com um vendedor de rua, Lea. Isso vai arruinar tudo”, disse, com voz fria. Leazinha apenas enrolava a empresária e seguia aos beijos com Bernardo.

Luiza, então, arquitetou um plano. Encontrou-se com Bernardo no calçadão, fingindo preocupação.

— “Bernardo, eu sei que você gosta dela. Mas será que você acha mesmo que pode oferecer o que ela merece? Viagens, luxo, segurança? Você é um bom homem, mas você é… ninguém no mundo dela.”

As palavras cortaram Bernardo como navalha. Ele duvidou. Duvidou de si, do amor, da sorte. Naquela noite, quando Leazinha chegou com flores compradas na beira da praia, ele despejou tudo:

— “Você merece mais. Alguém do seu mundo. Eu não sou pra você.”

Leazinha, magoada e confusa, gritou:

— “Você está me rejeitando por causa do que os outros dizem? Ou por medo de ser feliz?”

A briga foi feia. Palavras foram ditas. Corações se quebraram. E no dia seguinte, Leazinha partiu — sem avisar, sem olhar para trás.

Bernardo afundou. O sabor do seu hot-dog parecia sem graça. O mar… estava mais cinza do que em dia de chuva brava.

Até que João, seu amigo e também vendedor de hot-dog (especialista em “bacon duplo com queijo derretido”), sentou-se ao seu lado com uma cerveja gelada, e ali na areia despejou:

— “Bernardo, irmão… você acha que o amor tem carteira de identidade? Que só pode acontecer entre ricos, famosos ou gente com diploma?”

Bernardo olhou para o mar.

— “Eu só não quero atrapalhar a vida dela.”

— “E quem disse que você atrapalha? Ela escolheu você, cara. Não o carrinho, não a grana. Você. E você desistiu por medo. Isso não é amor. Isso é covardia.”

As palavras de João ecoaram. Bernardo chorou. E então, decidiu: Não era tarde. Bernardo abraçou João pelo apoio e foi atrás de sua amada. Bernardo correu até o hotel onde Leazinha ficava. Subiu as escadas três degraus por vez, não quis esperar por elevador. Bateu na porta do quarto 504.

— “Leazinha! Por favor, me escuta!”

A camareira abriu a porta:

— “Desculpe, senhor. A senhorita Leazinha já partiu. Foi para o aeroporto. Disse que ia para Pequim.”

Bernardo caiu no chão do corredor. O coração em pedaços.

Mas João, que o seguira de longe, sorriu.

— “Amor verdadeiro não tem aeroporto que segure.”

E então, mostrou o celular. Uma mensagem no grupo dos vendedores da praia: “Leazinha deixou um envelope com a dona do quiosque. Disse que era pra Bernardo.”

Com mãos trêmulas, Bernardo abriu o envelope. Dentro, uma foto dos dois no pôr do sol, com uma anotação em caneta vermelha:

“Você é meu favorito. Sempre foi. Se ainda me quiser, estarei no mesmo lugar, na mesma hora, daqui a um mês. Na praia. Com fome de hot-dog.”

Bernardo sorriu. E chorou. E riu.

Um mês depois, exatamente ao pôr do sol, Leazinha voltou. Não com guarda-costas, não com equipe. Sozinha. Sentou-se na areia, tirou os sapatos e esperou.

Bernardo apareceu com seu carrinho, mas dessa vez, vestido com uma camisa nova — presente dela, guardado todo esse tempo.

— “O de sempre?”, perguntou, com voz emocionada.

— “Não”, respondeu ela, levantando-se. “Hoje, quero só você.” (João botou Fábio Jr para tocar no celular só para frescar com o casal)

E ali, diante do mar e dos turistas que aplaudiram sem entender, Bernardo a beijou. Um beijo lento, profundo, de quem encontrou o caminho de volta pra casa.

Luiza, ao ver as fotos no jornal — “Modelo famosa reata romance com vendedor de hot-dog” — bufou. Mas no fim, percebeu que Leazinha ficava ainda mais diva quando apaixonada. Ela não iria mais atrapalhar o casal.

“Porque o amor, quando é verdadeiro, não precisa de palco.
Às vezes, basta um pão, uma salsicha, e um coração disposto a tentar de novo.” – Disse Luiza, antes de Leazinha entrar no Dragão Fashion Brasil, com Bernardo todo bobo na plateia.

Entre passarelas e dogões apetitosos, Bernardo e Leazinha seguiram apaixonados por anos e anos.

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