Num banco rachado, ela falava com o ar,
Seu cabelo branco dançava sem freio,
E o vento ouvia, como se a quisesse amar.
Contava segredos que ninguém mais ouviu,
Falava da guerra, do filho que partiu,
E o vento levava, pois ele não riu.
Tinha nos olhos o brilho de quem já sofreu,
Mas sorria ainda, como quem ainda crê,
Que o tempo, talvez, tudo devolva em seu véu.
As crianças zombavam, mas não compreendiam,
Que ali estava um livro que o mundo esqueceu,
Cheio de histórias que o tempo não lia.
E quando a noite chegou, ela foi embora em paz,
Com o vento a carregar para além do horizonte,
Onde o amor e a memória jamais terão raz.


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