No além, onde o tempo não existe e as almas se encontram em um vasto salão de memórias, três figuras históricas sentaram-se ao redor de uma mesa de mogno: Lampião, o cangaceiro; Getúlio Vargas, o pai da CLT; e Dom Pedro I, o imperador que gritou a independência.
— Pois então, meus caros — começou Dom Pedro, com a postura altiva de outrora —, o Brasil ainda não aprendeu a governar-se direito?
— Acho que aprendeu, sim — respondeu Vargas, acendendo um charuto invisível —, mas esqueceu de como cuidar do povo. Estão entregando o país para os outros. Parece que Lacerda ainda vive por lá.
Lampião riu, coçando a barba.
— Eu, que vivi no sertão, sempre soube que política é jogo das Elites. Mas pelo menos antigamente, o povo sabia quem eram os inimigos. Hoje, metade tá confusa, acreditando em promessas de político que muda de partido como eu mudo de cidade.
— Tens razão, cangaceiro — disse Dom Pedro, pensativo. — Eu lutei por um império unido, mas hoje vejo um país dividido em tantos pedaços quanto as províncias que um dia governei. As redes sociais fizeram do Brasil uma terra de opiniões irreconciliáveis.
— O problema — completou Vargas — é que ninguém quer governar pensando no futuro. Querem só o voto, a fama, o poder. Eu tive ideais, erros também, mas sempre pensei no Brasil como um todo.
— E hoje? — perguntou Lampião.
— Hoje… — suspirou Dom Pedro — o povo clama por dias melhores, mas escolhe líderes que repetem os erros do passado.
— Então talvez — disse Lampião, levantando-se — o que o Brasil precisa não seja de heróis ou bandidos, mas de gente comum que não se venda por fama ou ouro.
Os três se entreolharam em silêncio. No outro mundo, o tempo não apressa, mas lá embaixo, o Brasil esperava, e como sempre, não havia uma solução.


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