Dexaketo

Simplesmente Gaiato

Leazinha e o Amor Através do Tempo

Leazinha tinha 22 anos e o coração partido. Após descobrir que seu namorado a traíra, resolveu se isolar do mundo. Certo dia, ao visitar um museu histórico quase abandonado na periferia de sua cidade, ela encontrou algo inusitado: uma máquina do tempo escondida em uma sala trancada, coberta por poeira e teias de aranha. Curiosa, apertou um botão sem pensar duas vezes e, num clarão, foi lançada para fora de sua época.

Seu primeiro destino foi a Grécia Antiga. Lá, viu templos imponentes e ouviu discursos de filósofos. Depois, esteve no Egito, assistindo à construção das pirâmides. Cada viagem era uma nova descoberta, mas nenhuma delas preenchia o vazio que sentia. Até que a máquina a levou para o ano de 1521.

Ela acordou em meio a uma floresta densa e úmida. Ao longe, via-se uma cidade deslumbrante, cercada de lagos e canais: Tenochtitlán, a capital do império asteca. Leazinha, fascinada, decidiu explorar. Vestida com roupas simples que havia levado de outra época, misturou-se aos habitantes da cidade. Foi então que o viu.

Bernardo era um jovem espanhol, alto, de olhos claros e sorriso gentil. Ao contrário dos outros conquistadores, ele parecia encantado com a cultura asteca e se esforçava para compreender os costumes locais. Os dois se encontraram por acaso, quando Leazinha salvou uma criança que estava prestes a cair em um dos canais. Bernardo, testemunhando o gesto, aproximou-se e agradeceu com um sorriso que fez seu coração acelerar.

Ao longo de dias intensos, passearam por templos, compartilharam histórias e descobriram uma conexão que ia além do tempo. Leazinha não contou de onde vinha, apenas disse que era uma viajante. Bernardo, por sua vez, confessou que não concordava com a violência da conquista e que desejava um mundo onde culturas pudessem conviver em paz.

Mas o destino se aproximava. A cidade estava em guerra, e Leazinha sabia que Tenochtitlán cairia nas mãos dos espanhóis. Decidida a não viver o fim daquela era trágica, ela voltou para a máquina do tempo e retornou ao presente.

Ao retornar, tudo parecia mais frio e vazio. Sentia falta do sol quente, dos cheiros da cidade asteca, e, principalmente, de Bernardo. Dias se passaram até que, uma noite, ouviu uma voz familiar atrás de si:

— Você não achou que eu deixaria você ir embora assim, achou?

Era Bernardo. Como? Ela não sabia. Mas ali estava ele, em pleno século XXI, usando roupas modernas e olhando-a com o mesmo amor de antes.

— Eu encontrei a máquina — disse ele, sorrindo. — E não hesitei nem por um segundo.

Leazinha correu para seus braços, sem acreditar. Ele havia feito o caminho contrário, enfrentando o desconhecido, apenas por amor.

Juntos, aprenderam a viver nesse novo mundo. Bernardo, com sua curiosidade e coragem, se adaptou rápido, e logo se tornou um historiador renomado, escrevendo sobre o passado com uma perspectiva única. Leazinha, por sua vez, recuperou a fé no amor e na vida.

E assim, entre o passado e o futuro, eles encontraram um ao outro — não apenas como amantes, mas como almas gêmeas que desafiaram o tempo para ficarem juntas.

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