Dexaketo

Simplesmente Gaiato

Labirintos de Pele

Passou a noite em labirintos de pele,
dançando em leitos que o tempo esqueceu.
Cada olhar, uma promessa que não vale,
cada toque, um segredo que ardeu.
Por entre lençóis, colheu frutos proibidos,
mas o prazer vinha, e ia — nunca fixo.

Tornou-se mestre em beijos passageiros,
em carícias que não pedem licença.
Deixou-se levar por falsas primaveras,
buscando na carne uma velha crença.
Achou que o vazio se enchia assim,
mas cada amanhecer trazia o vazio em fim.

Foi trovão nos quartos, incêndio solto ao vento,
corpo em chamas, sem mapa ou destino.
Teve bocas como ondas em movimento,
e peitos como ilhas de carvão fino.
Brincou de amar sem jamais se entregar,
vivia o jogo, mas não via o alvo.

Até que surgiu alguém sem pressa,
com olhos que viam fundo sem julgar.
Um sorriso que não pedia defesa,
e um abraço onde pôde descansar.
Ela chegou como chuva em terra seca,
molhando o fogo, e acendendo a fé.

Hoje, escolhe um corpo só pra si,
e nesse único leito, tudo se encaixa.
Aprendeu que o amor não é só prazer,
mas também o calor daquela que é certa.
E se ainda há brasa, agora ela arde mansa,
numa fogueira única, verdadeira, e santa.

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