Bernardo colecionava olhares como outros colecionam tampas de cervejas. Atraído pela beleza de todas as mulheres, ele acreditava que a felicidade estava em tê-las, uma após outra. Percorreu cidades, sorrisos e corpos, mas sempre sentia um vazio no fim das noites.
Certa noite, em um aconchegante pub de Fortaleza, Bernardo viu Leazinha. Não era exuberante, nem se esforçava para ser notada. Usava um vestido simples, todo florido, mas carregava uma forte paixão no olhar. Bernardo estava hipnotizado. O coração acelerou, de maneira que todos os seus desejos, à partir dali, eram com ela. Até mesmo, uma antiga música do Savage Gardern ecoava em sua alma, uma música que o refrão falava tudo, o que ele sentia ali:
“I knew I loved you before I met you
I think I dreamed you into life
I knew I loved you before I met you
I have been waiting all my life“
Ela sorriu sem intenção, apenas por sentir. E Bernardo soube, ali, que estava diante a mulher de sua vida.
Foi até ela e gaguejou… para um tradicional galanteador, algo inaceitável. Mas ela apenas sorriu da inesperada gagueira. Os dois conversaram horas, sem pressa, sem máscaras. Leazinha falava de sonhos quietos, de amor verdadeiro, de si mesma. Bernardo, pela primeira vez, escutou alguém.
Nos meses que vieram, Bernardo descobriu que não precisava de todas as mulheres do mundo. Apenas dela. Leazinha era o porto onde seu coração naufragava em paz.
E assim, entre livros velhos e jogos ruins de se ver na TV, Bernardo encontrou o que nunca soube que procurava: A Mulher que Ele Amava, antes mesmo de conhecer.


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