Entre tramas de amor e dor latente,
Ela encontrava o céu no vício ardente,
Onde heróis e vilões, em luz e sombra,
Roubavam-lhe o suspiro, a alma desdobra.
O marido, em rancor, tecia o incômodo:
— “É farsa, ilusão, um mundo absurdo!”
Mas ela, emudecida pelo enredo,
Bebia o pranto do amor não correspondido.
Sua vida real, cinza e sem magia,
Pálida sombra ante a tela que ardia;
Cada capítulo, um laço desatado,
Cada cena, um abraço mais sonhado.
Até que um dia, a libertação,
Deixou o insuportável para ver sua novela querida.


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