No silêncio da noite, ela vem,
Como um vento quente que nos faz tremer.
É fogo que arde sem se ver,
Um segredo que o peito aprende a conter.
Seu sussurro é labareda ardente,
Queima devagar, mas nunca mente.
É raiz, é chama, é corrente,
Uma força que insiste em ser presente.
Nos olhos, tempestade; na alma, calmaria.
Na sua dança, tudo perde a frieza.
Ela pinta mundos de alegria,
Mas também guarda sua natureza fechada e vazia.
A paixão não pede licença para entrar,
Invade como maré em noite de luar.
Faz do coração seu eterno lar,
Transforma o simples em algo singular.
Por ela, vivemos, sofremos, sonhamos,
Pulsações que reverberam em versos clamados.
É promessa, é medo, é encontro, é desencontro,
Mas sempre verdadeira, mesmo quando sombria.
Quem ama pela paixão já foi marcado,
Carrega cicatrizes, mas nunca está acabado.
Pois nela reside o fogo sagrado,
Que ilumina os caminhos do lado mais escondido.
Então que venha a paixão, com sua luz e dor,
Que rasgue o véu da rotina e do tédio.
Pois só quem sente conhece o amor,
Mesmo que ele seja breve como um cometa em voo.


Deixe um comentário