No ar pesado a gritaria ecoa,
Cada qual na sua trincheira inflama,
A razão se esvai, a discórdia voa,
E a paz se esconde, em sombra e chama.
Os olhos ardem, as vozes se alteram,
Ninguém escuta, todos só protestam,
As mãos que outrora uniões festejam, ferem,
E os laços que nos prendem se contestam.
Ó cidade em fúria, ó grito surdo,
Que nas vielas e praças se derrama,
Será que o ódio é um destino absurdo,
Ou há ainda esperança na alma?
Se um dia o medo ceder à ternura,
Talvez a luz vença a noite escura.


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