Em chamas que o peito não consegue explicar,
Arde um homem perdido em seu próprio luar;
Coração nômade, em marés de inquietude,
Cultiva jardins breves, para não se perder ainda mais.
Cada beijo, um clarão que a noite apagará,
Nenhum véu de donzela seu porto ancorará;
Pétalas de rosas caem, sem dar fruto,
Pois não sabe amar terra, só deseja arar.
Rastro de suspiros, paixões em turbilhão,
Olhos que procuram novo ímã na escuridão;
É sombra de fugitivo em veredas do acaso.
Sua sede não se sacia, é rio sem direção,
Presa em laços que tece, mas nega a prisão:
Escravo de sóis múltiplos, nunca abraça um abraço.


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