Dexaketo

Simplesmente Gaiato

Vaga no Estacionamento

Era uma tarde ensolarada quando João chegou ao Shopping Center com sua caminhonete. Estava atrasado para encontrar amigos e, como sempre acontece, o estacionamento estava lotado. Depois de rodar por quase dez minutos, ele finalmente avistou uma vaga que parecia estar se desocupando. Com um sorriso triunfante, piscou os faróis para avisar que aquela seria sua.

Mas, antes que o carro à frente pudesse sair completamente, uma buzina alta ecoou pelo ambiente. Era Leazinha, em seu sedan vermelho, pronta para tomar posse da mesma vaga. Sem pensar duas vezes, ela acelerou, posicionando-se estrategicamente na diagonal, bloqueando o acesso de João.

— Essa vaga é minha! — gritou ela pela janela, enquanto abaixava o vidro com agressividade.

João não se intimidou. Saiu do veículo bufando, batendo a porta com força.
— Minha?! Eu vi primeiro! Se você tivesse um pingo de educação, teria esperado!

A discussão esquentou rapidamente. Leazinha desceu também, apontando o dedo para João como se fosse uma arma.
— Educação? Ha! Quem dirige esse trambolho nem deveria frequentar lugares civilizados!

As palavras duras voavam como flechas entre os dois, cada um defendendo seu direito à vaga com fervor. Outros motoristas começaram a circular em volta, tentando entender o motivo do tumulto. Alguns até paravam para assistir à cena, com direito a pipoca e tudo, mas ninguém ousava intervir, pois era entretenimento puro, melhor do que qualquer discussão do BBB 25.

Enquanto isso, Bernardo — um homem alto, de cabelos grisalhos e sorriso calmo — observava tudo de longe, sentado confortavelmente em sua moto estacionada nas proximidades. Ele já tinha visto cenas semelhantes muitas vezes e sabia exatamente como elas terminariam.

Quando a briga atingiu o ápice, com João gritando algo sobre “justiça” e Leazinha contra-atacando com insultos sobre a idade do carro dele, Bernardo decidiu agir. Acelerando suavemente sua moto, ele entrou no meio do caos, manobrando com precisão cirúrgica e estacionando perfeitamente na vaga tão disputada.

Ambos ficaram paralisados, olhando incrédulos para o intruso tranquilo que agora retirava calmamente o capacete.

— Vocês parecem cansados — disse Bernardo, sorrindo. — Resolvi poupar vocês dessa guerra inútil.

Sem mais nada a dizer, João e Leazinha permaneceram mudos, vendo-o caminhar despreocupadamente em direção ao shopping. No fim, restou apenas o som das buzinas irritadas de outros carros atrás deles, ansiosos por novas vagas… ou talvez novas brigas. Além de pipocas espalhadas deixadas por quem viu aquela briga dá em nada.

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