Dexaketo

Simplesmente Gaiato

Ela é sua Mãe!

Leazinha sempre teve uma vida confortável. Morava em uma casa espaçosa, com piscina e jardim impecável mantido pelo zelador. Sua família era conhecida no bairro por sua elegância e bom gosto. Aos 16 anos, ela estava acostumada a ter tudo o que queria: roupas de grife, celular novo a cada lançamento e festas regadas a risadas com os amigos mais populares da escola.

Mas havia algo que corroía Leazinha por dentro — um sentimento de superioridade que ela nutria sem perceber. Para ela, as pessoas eram divididas entre “importantes” e “insignificantes”. E Dona Luiza, a empregada doméstica da família, infelizmente, se encaixava nessa segunda categoria.

Dona Luiza trabalhava para a família há quase duas décadas. Era uma mulher simples, de sorriso fácil e mãos calejadas pelo trabalho árduo. Sempre tratou Leazinha com carinho, mesmo quando a menina respondia suas gentilezas com grosseria ou indiferença. Certa vez, pediu educadamente que Leazinha tirasse os sapatos antes de entrar na sala recém-encerada. A adolescente revirou os olhos e respondeu: “Não é pra isso que você é paga? Pra limpar depois de mim?” Palavras como essas não eram incomuns, mas Dona Luiza nunca reclamava. Apenas abaixava a cabeça e continuava seu trabalho.

Um dia, logo após Leazinha brigar com um de seus vários ficantes do colégio, ela acabou discutindo com seus pais, que se recusaram a comprar um carro novo para ela, por ela ser “de menor”. Furiosa, subiu para o quarto batendo os pés. No meio do caminho, trombou com Dona Luiza, que trazia uma bandeja com suco de laranja fresco. O copo caiu no chão, espalhando líquido por toda parte.

“Olha o que você fez!” gritou Leazinha, enquanto Dona Luiza se apressava em pegar um pano para limpar a bagunça. “Você é tão desastrada! Não sei como meus pais ainda te mantêm aqui!”

As palavras cortaram o ar como facas. Dona Luiza paralisou por um momento, os olhos marejados, mas logo se recompôs e continuou limpando em silêncio.

Mais tarde naquela noite, Leazinha foi chamada ao escritório dos pais. Sentados lado a lado, pareciam sérios. Seu pai, seu Bernardo, pigarreou antes de começar:

“Leazinha, precisamos conversar sobre algo importante.”

Ela franziu a testa, confusa. “O que foi agora?”

Sua mãe, Dona Brenda, suspirou profundamente. “Filha… nós somos seus pais adotivos. Você veio para nossa casa quando tinha apenas alguns meses de vida.”

As palavras atingiram Leazinha como um raio. Ela balbuciou: “Como assim? Vocês estão brincando, certo?”

Seu pai balançou a cabeça. “Não estamos. Achamos que já era hora de você saber. Sua mãe biológica… é Dona Luiza.”

O mundo girou ao redor dela. Tudo fazia sentido agora — a paciência infinita de Dona Luiza, o olhar triste que às vezes cruzava seu rosto, o cuidado especial que ela sempre teve com Leazinha, mesmo sendo tratada mal tantas vezes.

Envergonhada, Leazinha correu até a cozinha, onde encontrou Dona Luiza lavando pratos. A mulher ergueu os olhos ao ouvir passos apressados e viu a adolescente parada à porta, hesitante.

“Dona Luiza…” começou Leazinha, a voz embargada. “Eu… eu sinto muito. Por tudo.”

Dona Luiza largou o pano de prato e abraçou a filha perdida, lágrimas escorrendo pelo rosto. “Minha pequena,” murmurou. “Esperei tanto tempo por esse momento.”

A partir daquele dia, Leazinha mudou. Começou a enxergar as pessoas ao seu redor com outros olhos. Aprendeu a valorizar o amor incondicional que Dona Luiza sempre lhe ofereceu e a importância de ser humilde, mesmo tendo privilégios.

No final das contas, descobrir sua verdadeira origem não foi apenas uma revelação sobre quem ela era, mas também sobre quem ela poderia se tornar.

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