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Leazinha, a Escritora

Leazinha vivia em uma casinha de portas azuis, em um vilarejo à beira de uma linda praia no Ceará, ainda não descoberta pelo Turismo. Aos 14 anos, sua vida era feita de areia quente, redes balançadas pelo vento, forró no rádio, ver reels de vídeos de cachorrinhos e cadernos surrados onde escrevia histórias desde que aprendera a juntar letras. Seu pai, pescador, dizia que as palavras dela tinham “o sal do mar e a cor do céu”. A mãe, costureira, bordava capas coloridas para os cadernos, como se cada um fosse um tesouro (e que seriam mesmo)

Um dia, sua professora, de uma escola pública de Beberibe, aonde ela estudava, inscreveu um conto seu em um concurso internacional. “Você vai ver o mundo através das suas próprias letras”, prometeu. Meses depois, Leazinha recebeu uma carta: Havia ganho uma bolsa para viajar por sete países, escrevendo sobre cada lugar.

Nova Zelândia foi a primeira parada. Ela descreveu os fiordes como “montanhas que mergulham no mar, como se a terra quisesse abraçar o oceano”. Dormiu em uma aldeia maori, ouvindo lendas sobre o deus Tane, que separou o céu e a terra.

No Canadá, sob o céu dançante da aurora boreal, escreveu: “A luz verde é a respiração do Ártico, um segredo que só os esquimós sabem guardar”. Em Munique, na Alemanha, perdeu-se em castelos medievais, onde os risos eram tão altos quanto o som das bandinhas. “Aqui, até a tristeza é cantada em coro”, anotou. Ela também foi em um jogo do Bayern e ficou admirada com a paixão da torcida germânica.

Na Nigéria, durante o festival de máscaras de Calabar, dançou com fantasias de cores impossíveis. “Cada máscara é uma alma ancestral que volta para contar histórias novas”, registrou. Nas Filipinas, mergulhou em águas cristalinas onde peixes-palhaço brincavam entre corais. “O mar aqui é um espelho que reflete o paraíso”.

Na Costa Rica, adentrou florestas onde macacos-aranha saltavam entre árvores centenárias. “A selva é uma sinfonia: cada folha, um instrumento”. Por fim, no Peru, subiu a trilha de Machu Picchu sob a chuva. “As pedras incas são livros escritos em silêncio, e o vento sussurra os versos que faltam”.

Ao voltar para casa, Leazinha trouxe sete cadernos cheios de cores, cheiros e vozes. Sentou-se na areia, ao lado de sua rede, e leu para os pescadores histórias de mundos distantes. Eles riam, espantados: “É como se a gente tivesse viajado também!”.

Seu dom não era apenas escrever, mas costurar pontes entre terras e gentes. E assim, naquela praia do Ceará, o mundo inteiro cabia em suas páginas amarrotadas — e cada palavra era uma onda que levava sonhos para além do horizonte.

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