Em sombras onde o amor proibido habita,
Meu peito é cúmplice de um doce crime:
Na luz, teu riso a pura aurora imita,
Na noite, és carne que meu sonho oprime.
Teus olhos, cálices de um vinho obscuro,
Derramam em meu ser febril desejo —
Meu irmão te possui, eu só te aspiro
No véu do sono, em lábios de carneiro.
E quando cruzas o umbral, sinto o martírio:
Sangue que arde em segredo, mudo grito,
Pois cada gesto teu é meu delírio,
Mas meu juramento cala o amor maldito.
Ah, intocável na lei, amante nos lençóis
Do meu quarto escuro… Ó prisão sem véu:
Ser brasa em cinzas, és de meu irmão — não meu.


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