Havia uma porta quebrada no eixo
do mundo, até que um compasso calmo
apontou o horizonte em seu reflexo:
norte na alma, sul feito de bálsamo.
Abriu-se a vereda por entre espinhos,
e cada passo, antes só labirinto,
virou sinfonia de dias tranquilos.
A luz entrou por frestas de um destino
que não mais se escondia sob o mito.
E as coisas deslizaram como rio:
a vida, leve, em seu curso sem dono,
a mão que toca o pólo do carinho,
o instante que se alonga em seu repouso.
Agora sei: o rumo é apenas isso —
o peito que navega sem remorso,
as estrelas dobradas no abraço.


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