Amor, fantasma azul que o crepúsculo derrama,
Teu sonho é um véu de névoa sobre a fonte pura.
Nas sombras do impossível, a alma se reclama,
Enquanto o corpo é cinza, efêmera escultura.
A lua desfia fios de prata na lagoa,
Onde os lábios do vento sussurram segredos.
O desejo, navio sem rumo, à deriva voa,
E o corpo, flor noturna, desfolha seus enredos.
Ó impossível abismo, horizonte sem chão,
Teu vértice é um canto que o tempo não devora.
Entre brumas, o amor se perde em dilaceração,
E o sonho é um espelho que a névoa descolora.
Na gruta do ser, ecoam vozes de um além frio:
O corpo é um suspiro, o amor, eterno exílio.


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