Ela estava ali, toda linda! Com seu microfone na mão, passando as notícias do jogo para a sua rádio. Eu, bobo, me esquecia do jogo de ingresso caro, apenas para ficar a olhando. Ela era tão linda! Ia para os jogos do Fortaleza, do Ceará, do Ferroviário, do Atlético Cearense, do Floresta, do Tiradentes, todos os jogos que tinha no Castelão só para vê-la.
Era muito difícil ela me notar, quem era eu no meio da multidão. Além disso, era uma paixão bem platônica, já que eu nunca confessava o que sentia. Quando ela olhava para a arquibancada, eu começava a cantar a música do time que jogava.
Um certo dia, em um jogo entre Guarany de Juazeiro e Tiradentes, um produtor percebeu que eu estava ali todos os jogos. Ela olhou para mim, e perguntou se podia fazer uma matéria comigo. Eu, imediatamente, disse que sim.
A primeira pergunta foi, exatamente, a que eu queria: “Por que você está presente em todos os jogos aqui no Castelão?” Eu olhei para ela e disse: “Porque eu quero te ver”. Ela arregalou os olhos e os produtores ficaram sem reação. A matéria era gravada, não era ao vivo, mas ainda bem. Ela chegou perto de mim e disse no meu ouvido: “Moço, obrigada pelo carinho, realmente, fico lisonjeada por me prestigiar assim, mas espero que venha me ver por ser meu fã, porque já sou casada.” Eu abaixei a cabeça e fiquei bem triste. Ela notou, coçou a cabeça e disse que não podia alimentar aquela paixão platônica em mim, mas que ficaria bem feliz, se eu inaugurasse algum fã-clube ou se fosse amigo dela. Eu engoli o choro e aceitei a proposta.
Sim, segui indo para todos os jogos no Castelão, e também no PV. Minha paixão platônica agora era minha amiga de conversas, e isso me dava algum prestígio, como perturbar o narrador da rádio ou ganhar um lanche de graça. Não deu match, mas deu uma amizade bacana entre o cara da arquibancada e a repórter de campo.


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