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Um Pedaço de Papel Qualquer

Em uma noite simples de Abril, eu via a chuva bater na minha janela e me perguntava porque estava tão só. Escorado na parede, olhava para minha cama e lembrava daquela que me largou. Até aquele momento, me questionava porque ela foi embora. Éramos um casal tão cheio de vida e de amor. Ela sorria, e eu ficava muito bobo. Ela me pediu um carinho e eu fazia sem medo de ser feliz. Quantas noites de sexo ardente, indecente e gostoso tivemos. Eu me levanto da parede, volto a olhar a chuva lá fora.

Quando o tédio resolve ir embora, pego um pedaço de papel qualquer e começo escrever coisas sem sentido, mas o suficiente para me livrar de ideias malditas que me aperreavam o juízo. Desejos de coisas que a vida não me permitiria mais, como ter um filho com ela. Eu risco o papel, até não sobrar nem mesmo um átomo. Depois rebolo na rua, descontando toda minha raiva naquela celulose! A chuva continuava e minha tortura emocional me levava a ouvir “Hungry Eyes” de Eric Carmen, o que me fazia lembrar ainda mais dela.

A chuva começa a parar, eu volto a me escorar na parede. Escuto passos, volto para janela e vejo você sem coragem de me chamar, mas ali, toda molhada na frente da minha casa. Eu saio do quarto e vou até a porta. Quando abro, você está com um papel na mão. Sim, aquele pedaço de papel qualquer tinha sido levado até a casa dela, impressionante não destruir no meio de tanta água e ainda ser levado na água de maneira perfeita.

Ela me abraça e disse que o amor era burro demais, que ela me queria, porém preferia se casar com um cara rico que estava dando mole para ela. O cara era um amor de pessoa e tinha condições para dar o luxo que ela precisava. Eu mando ela ir embora! Ela sorrir e afirma que estava brincando, que havia sumido porque estava com medo de casar, e o meu pedido tinha sido muito direto, todavia, aquele pedaço de papel qualquer tinha a mostrado que ela não precisava ter medo de ser feliz ao meu lado.

A gente se beija, entra dentro da minha casa e continuamos nossa história de amor. Obrigado, pedaço de papel qualquer!

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