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O Bêbado da Ana Bilhar

Eram cerca de 3 da manhã, as ruas estavam desertas ou não tinha quase ninguém. Ele vinha da churrascaria a qual comemorava a confraternização de ano novo com amigos. Eram 3 da manhã, não tinham mais ônibus, ele precisava voltar para casa, mas da churrascaria para lá, o Uber estava muito caro, então ele resolveu caminhar até aonde o preço pudesse abaixar.

Ele, então, começou a caminhar e passear pela Rua Ana Bilhar. As coisas não pareciam muito lúcidas, o moço estava bêbado, mas não estava inconsciente, sabia bem o que fazia, mas sabia que como bêbado podia fazer coisas aceitáveis para um bêbado passeando por uma rua boemia as 3 da manhã.

Então, ele começou a cantarolar, cantava Leandro e Leonardo, CPM 22 e o que vinha na cabeça. Depois viu um banco de praça, entre a Ana Bilhar e a Dias da Rocha e deitou-se para pensar na vida. Mas rapidamente foi aconselhado a sair dali, o banco era de um food truck, que fecharia naquele momento. Ele seguiu seu passeio de bêbado. Olhou o preço do Uber, viu que estava alto e sentou-se no chão, ao lado da placa da obra que a prefeitura fazia ali, novamente, pensava na vida e no que estava fazendo dela para está naquele lugar, naquele momento.

Ele ergue-se e seguiu seu passeio alcoolizado. Começou a cantar Daniel, mas rapidamente parou e lembrou de antigos amores, aqueles que não teve coragem de dizer e aqueles que teve, mas o amor não aconteceu. Lembrou de coisas que tinha que melhorar, tipo não beber demais em confraternizações. Lembrou da triste liseira que o acometia e não permitia realizar alguns sonhos, como ter seu próprio lugar, já que ainda morava com mãe, vó e tia. Do sonho de puder viajar o mundo, enquanto na vida real, tinha que esperar o Uber baixar para ir pra casa.

Fez sua última parada em frente ao Condomínio Millenium, deu uma vomitada, aonde jogou pra fora não apenas pedaços de carnes ou resto de bebida, mas também todas as angústias que lhe tomavam a mente. Antes de pedir o Uber para finalmente ir para casa, olhou para o Condomínio e disse que ainda moraria ali. Olhou para a Rua e disse que ainda moraria ali. Olhou para a estação do Bicicletar e disse “Eu Te amo!”. O Uber chegou, ele foi para casa, mas seu desejo estava ali. Um bêbado consciente de quem era seu verdadeiro amor, ele mesmo na Rua Ana Bilhar!

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