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A Craque – Capítulo 7

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A temporada virou, Leazinha estava ainda mais pronta para fazer história no vôlei cearense. Sem Rayane para atrapalhá-la, seu vôlei cresceu absurdamente. Ela melhorou tanto que garantiu um espaço cativo na seleção cearense. Lá ela tinha todo o suporte do Rafael, o treinador, além do Caetano seguir de olho nela. Além disso, o timaço que ela fazia parte era de esquecer o LEJ. Pelo CBS (Campeonato Brasileiro de Seleções) Sub-18 de Vôlei Feminino, um jogo incrível contra a Seleção do Paraná deixava explícito, que com ninguém atrapalhando, ela ia longe. Aliás, na seleção cearense, a tal de Isadora Olinda não levantava, ela obrigava Leazinha a fazer o ponto, era cada bola redondinha.

Leazinha poderia já está na seleção brasileira, mas Luiza pediu para esperar um pouco mais, já que Alê estava por lá. Luiza temia que consequências extra-quadra estragasse tudo o que estava sendo plantado em solo cearense. Aliás, a pedido de Luiza, Rafael revezava a presença de Leazinha e Alê na seleção cearense. O que ninguém sabia era que Alê já nem sentia raiva de Leazinha, seu desprezo por Rayane, a fez ser amiga de Leazinha, mesmo sem Leazinha saber. O treinador Raí tinha constantes problemas para resolver entre suas duas levantadoras.

O tempo correu e já um pouco depois da metade da temporada de 2018 ter sido finalizada, no Ruano, Luiza tinha um probleminha a resolver após Leazinha retornar do último CBS. A vitória sobre as paranaenses, deixaram a menina bem arrogante, bem metida e extremamente deselegante com as colegas de equipe. Dandara, inclusive, saiu da equipe e foi para o Timbone, por não suportar Leazinha. Luiza não a chamou para conversa, não a xingou, apenas deixou o destino dar um trato.

Na final do Cearense Infanto, o Ruano encarou o BNB Clube, na casa das adversárias. Larissa Brandão e Bruna Carvalho deixaram Leazinha sem saída. Era cada “fechada de porta”, um bloqueio melhor que o outro. Gurgel estava feliz com a maneira que o BNB Clube se comportava, enquanto Leazinha se perdia na própria personagem que havia criado. Seu João, na torcida, não conseguia sorrir um segundo, porque Leazinha tinha sido anulada pelas futuras craques de Superliga. Um 3×0 esmagador do imbatível BNB Clube. O campeão tinha perdido o trono para o maior campeão. Luiza cumprimentou seu mestre, Gurgel, ao fim do jogo. Depois de receber a medalha de Prata, chamou sua estrela para uma conversa.

Debaixo do pé-de-jambo, que tinha ao lado da quadra Eurípedes Gurgel, no BNB Clube, Luiza perguntou aonde estava a menina incrível que ela tinha conhecido no Flávio Marcílio. Aonde estava a craque da temporada anterior. Não tinha Rayane, não tinha Alê, não tinha Bernardo… Por que ela estava daquele jeito? Leazinha não respondia nada. De cabeça baixa estava, de cabeça baixa ficou. Luiza seguiu com a bronca. Avisou que estava criando uma atleta e não uma monstra. O fato dela ter “destruído” no CBS, não lhe dava a permissão de ser estúpida, mas o contrário. Ao invés de menosprezar as “comuns”, ela deveria ser uma líder em quadra, ajudar suas companheiras com o que aprendeu na seleção cearense e com a participação em um torneio Nacional. Ela não precisava de estrelismo “besta”, ela precisava ser mais forte, para não ser feita de tonta por gente safada, porém tinha que continuar sendo a Leazinha solidária, apaixonada pelo vôlei e de alma encantadora, que sempre foi. Antes de sair, Luiza abraçou Leazinha e afirmou que confiava no coração de sua craque.

Depois que Luiza saiu, e antes de Seu João a levá-la pra casa, Leazinha ainda ouviu umas palavrinhas de Gurgel, que passava por ali e resolveu parar e falar com a talentosa menina: “Tu não pode ter um Rei na Barriga, menina! Escuta tua treinadora, ela quer teu bem. Não vai nessa de achar que é a última bolacha no pacote. Além disso, a última bolacha se acha a mais importante, porém é a mais amassada. Conseguiu me entender, né? Pois é! Agora Boa Noite e adeus.” Quando Gurgel saiu dali, acompanhado de seu neto Gabriel, Leazinha percebeu que apesar das mancadas, estava cercada de pessoas que queriam seu bem e que ela precisava descer do salto. Era hora de voltar a ser a velha e boa Leazinha do Flávio Marcílio. Antes de ir pra casa, Leazinha ainda viu Seu João comprar uns picolés na lanchonete do clube e negar de dar algum para ela. Ele afirmou que só voltaria a “paparicar” a filha quando a verdadeira Leazinha voltasse.

No dia seguinte, Leazinha pediu a palavra na tradicional “rodinha” pré-treino de Luiza. Pediu perdão por ser idiota com suas colegas. Afirmou que ligou para Dandara e tambem se desculpou com sua ex-colega de equipe. Todo mundo ficou “meio assim”, mas com o tempo, Leazinha mostrou no dia-a-dia que o perdão não foi da boca pra fora. Luiza ficou felizona com o “retorno” da sua Leazinha.

2018 estava chegando ao fim, o Ruano acabou sem títulos. O BNB Clube estava faminto por conquistas e levou tudo. Porém, as derrotas lapidaram ainda mais o diamante bruto que era Leazinha. Luiza estava pronta pra pedir para Leazinha ir treinar com o Adriano e o Gurgel no BNB Clube, já que o BNB disputava CBI (Campeonato Brasileiro Interclubes) de Vôlei Feminino, mas…

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