Dexaketo Textos Um Pouquinho de Amor Não Faz Mal a Ninguém

Um Pouquinho De Amor Não Faz Mal A Ninguém – Capítulo 10

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Quem disse que não tenho um dia de capítulo feliz! A campainha do apartamento toca e… me apavoro, será que era meu pai com Jon, será que eu sairia dali espancada e toda a família de Bernardo apanharia por minha causa de novo? Mas não era nada disso, era apenas a namorada de Bernardo, a Marcela. Marcela era muito bonita! Era aluna de Letras em Italiano na UFC, estava em seu segundo semestre. Ela morava na Parquelândia, antes de ir para o condomínio. Depois de alguns minutos de conversa, percebi que seu charme para Bernardo, era seu amor por anime. O instagram dela era @MarcelinhaGoku para vocês terem uma ideia. Estava muito feliz em ver meu amigo amando uma menina tão legal e ver que também estava sendo amado.

No final daquela noite, fiquei da janela do quarto de Bernardo olhando para o céu e para as estrelas, contemplando a noite que ali se desenhava. Poucos carros passavam na Themberge, enquanto eu pensava quando conseguiria viver a vida que eu queria. Nunca odiei minha família, mas sempre fui reprimida a satisfazer seus desejos. Se eu tinha um sonho era ser aceita por eles, como sou. Eu não era anormal, só queria amar mulheres, ao invés de homens. Tinha dado sorte naquele dia, pois encontrei, por acaso, amigos que nunca mais tinha visto, mas se eu não tivesse encontrado, provavelmente estaria na rua, com fome e com frio, apenas pelo fato de eu ser gay. Jon mata, bate, estupra, rouba e é endeusado por meu pai, enquanto eu que sempre fui estudiosa, que sempre ajudei minha mãe com os afazeres de casa, que nunca fui ríspida com ninguém, que sempre sai e cheguei de casa no horário que combinava, fui enxotada apenas por amar mulheres e querer morar só. As lágrimas descem de meus olhos, no mesmo instante que o coração fica apertado. Vivia um relacionamento abusivo com minha família? Naquele momento, apareceu Dona Patrícia que nada falou, apenas me abraçou. Sempre tive a família de Bernardo como uma segunda família e foram eles que me abraçaram naquele momento.

No dia seguinte, tinha aula e a estreia no estágio que o Seu Nelson conseguiu pra mim. Ao chegar na UNIFOR, fui interceptada por meu pai. Ele me puxa pelo braço e me pergunta para aonde eu estava indo. Eu pedi para ele me soltar e digo que estou indo pra aula. Ele rir de mim e afirmou que cancelou minha matrícula, pois se ela podia fugir de casa e morar só, não precisava do dinheiro dele. Eu queria chorar, mas só me soltei de meu pai e fui saindo da Universidade. Ele pergunta para aonde estou indo. Meu sarcasmo brota e eu digo: “Pra casa, papaizinho! Não tenho aula hoje!” Ele pede para eu voltar, eu corro até a parada de ônibus, ele não corre, lembra do seu eleitorado, e deixa eu ir. Eu peguei o primeiro ônibus que passou e este era o 075 – Campus do Pici/Unifor. Dei sorte, ia descer na minha nova casa.

Quando chego, ainda pela manhã no apartamento de Bernardo, sou surpreendida com a presença de seu Nelson e sua esposa. Mas o que eles estavam fazendo lá?

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