Dexaketo Textos Um Pouquinho de Amor Não Faz Mal a Ninguém

Um Pouquinho de Amor Não Faz Mal a Ninguém – Capítulo 8

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Ao chegar no Condomínio, presenciei Jon e sua gangue tratando mal o entregador do Ifood, desde ficar empurrando o rapaz entre eles à ficá-lo destratando com ofensas por ele ser pobre e preto. Eu me meti, obviamente, Jon diz que não necessitava eu me intrometer, pois ele estava “só brincando”. Com o pavor estampado no rosto, o entregador confirmou que ele conhecia os rapazes. Eu falo baixo no ouvido de Jon, afirmando que ainda acabo com essa farra dele, Jon rir, diz que se eu tentasse alguma coisa, ele me deixava toda roxa e ele ainda se safava porque era filho, assessor e futuro deputado federal. O pior era que ele tinha razão, playboy pode fazer o que quer no Brasil.

Quando entrei em casa, fui falar com minha mãe. Aliás, nem contei pra vocês. Saímos da Aldeota e morávamos agora no Alphaville, meu pai se tornou deputado federal, aproveitando-se da onda de extrema direita Bolsonarista. Ele, como exemplo do “cidadão de bem”, só não foi o mais votado porque o Ceará é um estado essencialmente anti-Bolsonaro. Ao chegar no quarto, vi minha mãe olhando fotos de quando eu e Jon éramos crianças. Sentei ao lado dela na cama e começamos a conversar. Um raro momento em que ela me escutou, desde o episódio com Luiza. Ela chorou ao lembrar que tinha sonhos, que não foram realizados, mas sorriu ao ver que ao abrir mal destes, fez surgir dois filhos lindos e cuidados pelas regras tradicionais da sociedade. Em meio a um abraço forte, eu falei que queria morar só, sair de casa, para ganhar mais responsabilidades e liberdades. Meu pai entra no quarto urrando, dizendo: “Filha minha, só sai de casa casada!” Eu reajo também urrando e pergunto: “E se eu fugir a regra, o que você irá fazer? Mandar o Jon me bater, como sempre fez?” Ele pega o cinto, mas quando me puxa pelo braço, eu o arranho e saio correndo. Não era fácil viver na casa de gente autoritária e fingida. Quando eu sai de casa, um vizinho estava saindo de carro, eu suplico por uma carona para qualquer lugar. Ele me permite ir com ele, mas por se assustar com minha cara de terror. Eu entro, ele acelera e saímos do condomínio. Jon pede pra ir atrás, mas meu pai disse que era melhor deixar eu ir, pois depois eu voltaria. Ele se vira para minha mãe e a culpa por eles terem uma filha sapatão e vagabunda.

O vizinho que me salvou, era o seu Nelson, dono de uma rede de lojas de roupas em todo o país. Eu acabei desabafando minha história para ele. Não sei como me aguentou. Quando chegamos no Iguatemi, seu Nelson disse que só podia me deixar até ali, pois ele ia trabalhar. Eu perguntei se ele podia me dar um emprego. Ele rir e disse que não podia desafiar o deputado, mas trocamos números de WhatsApp, pois se ele soubesse de alguém que precisasse de uma estagiária na área de direito, ele entraria em contato. Viu que eu era uma menina boa que merecia uma chance na vida. Eu o abracei, agradeci por tudo e desci do carro. Mas e agora? O que eu faria da vida?

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