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O Pobre Rei Que Tinha Tudo Menos Amor

Era uma vez em um reino bem distante, tão distante que nunca apareceu em nenhum mapa da história da humanidade, a história de seu último rei, o todo-poderoso, Paulo Ricardo III.

Ele assumiu o trono com apenas 15 anos de idade, e havia experimentado todos os prazeres da vida com menos de 20 anos. Ele tinha poder, vassalos fiéis as suas decisões, todo tipo de riqueza e possuía a mulher que queria no instante que queria. Rainha? Nem pensava nisso, nem mesmo em filhos. Seus conselheiros falava da importância de um filho para ele possuir um sucessor, mas ele não queria mais responsabilidades em sua vida, o argumento era que seu reino já dava muito trabalho.

Por volta de seus 25 anos, em uma de suas raras andanças por fora de seu reino, ele encontrara uma bela mulher,  próxima a um dos mais belos lagos da redondeza, e tentou logo a possuir, como fazia com as demais, porém ela retrucou e avisou que não o conhecia e jamais iria deitar-se com um homem que não sabia tratar as mulheres com respeito. Ele se surpreendeu! A mulher foi embora e o primeiro não, ele escutou em toda sua vida.

Nos demais dias, ele voltara ao lago para encontrar aquela mulher que o surpreendeu. Com toda a educação de um rei, ele até uma amizade iniciou com tal plebeia. Ele passou a gostar tanto daquela honrosa companhia, que passou a fazer tal passeio diariamente, e aquela amizade começava a transformar-se em um sentimento mais intenso para ambos.

Um certo dia, ao chegar ao lago, ele não a encontrara, e foi assim por mais alguns dias. O desespero do rei ficou evidente quando ele passou a utilizar de sua força especial de cavalheiros para encontrá-la. Ele não sabia o que sentia, só sabia que não podia ficar sem ela, e o seu coração tentava o avisar que o pior havia ocorrido.

Após vários dias, próximo de mais um anoitecer sem encontrá-la, quando estava aos prantos próximos ao lago, o rei encontra uma medalhinha, e lembra que esta era a medalhinha da única mulher que o cativou. Sua mente passou a pensar no pior com maior intensidade, pois ele sabia que ela jamais se separaria de sua medalhinha.

Quando o pranto chegava a níveis nunca imaginado por ele, uma velha bruxa aparece no local e afirma que tal mulher nunca existiu. O rei pergunta se a mulher não havia enlouquecido e mostra a medalhinha, a velha bruxa afirma que a medalhinha era dela, e ela havia feito o feitiço após visitar as terras do rei e saber que ele duvidava do poder do amor, e pior, que tratava as mulheres como parte de seus pertences reais. Então, ao ver que o rei estava perto de suas terras, fez o rei cair do cavalo e o enfeitiçou, ele não lembrara de nada, pois isso fazia parte do feitiço. O feitiço acabava quando ele se apaixonasse pela mulher de sua imaginação, e assim sentiria, o que várias mulheres, enganadas por ele sentiram, a dor de um amor que só existiu em sua cabeça e que nunca foi real. Além disso, toda vez que ele pensasse em enganar a alguma outra mulher, tal ilusão retornaria a sua vida, como uma espécie de  praga. Com o ódio de posse de sua razão, o rei matou a velha bruxa, retornou ao reino, cessou as buscas e voltou a sua vida deprimente.

O rei vivera até os 50 anos de idade, o que era comum na idade média. Nunca mais sentira tal sentimento, nunca mais se envolveu com mulher alguma, destinou sua vida a aumentar o tamanho de seu reino e suas posses materiais. Seu fiel escudeiro ainda tentou convencê-lo de ter alguma mulher apenas para que esta parisse um descendente, mas o rei não tocara mais em nenhuma mulher devido a praga da velha bruxa.

O reino acabara após sua morte. Seu fiel escudeiro, que se tornara o rei por testamento, vendeu as terras para um dos reinos que formavam o Sacro Império Romano-Germânico, principalmente por já está em fim de vida e também não possuir descendentes. As posses materiais do rei foram compradas pela Igreja e outra parte foi dividida entre os membros do leal exército, que se dissolveu após a venda do reino. Além disso, os cavalheiros se tornaram suseranos de parte das terras que formavam o reino, mas obviamente, obedecendo o pacto de vassalagem com o novo rei.

O Rei teve tudo o que uma pessoa pode possuir em vida, mas jamais amou alguém de verdade, apenas a ilusão de sua mulher ideal.

O Pobre Rei Que Tinha Tudo Menos Amor - Dexaketo

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