Autor(es): Amanda Batista Santos
Ano: 2019
Universidade do Porto – Tese
CLIQUE AQUI E LEIA A TESE POR COMPLETO
Resumo
Esta tese teve como grande propósito, analisar a variabilidade do desempenho de atletas de Ginástica Rítmica (GR), de diferentes níveis de rendimento em função de fatores biológicos, motores e estruturais. A amostra foi composta por 166 ginastas portuguesas de três níveis de competição (Base, 1ª divisão e Elite) e com idade média de 13.0±0.2 anos; 9 ginastas de elite brasileiras (20.8±1.9 anos) e 72 ginastas de elite participantes das Taças do Mundo de Lisboa em 2013 e 2014 (18.4±2.3 anos). Foram recolhidos dados de antropometria, composição corporal, maturação biológica, desempenho motor, conteúdo dos exercícios de competição e dados caracterizadores do treino (tempo de prática, idade de início na GR, volume e intensidade de treino), assim como foi estimado o somatótipo. As análises estatísticas compreenderam procedimentos univariados e multivariados.Os principais resultados mostram que as variáveis morfológicas: gordura corporal e comprimento dos membros inferiores e as variáveis de força: elevações do tronco e saltos duplos com a corda foram as que melhor discriminam as ginastas portuguesas por nível de competição. Por outro lado, as variáveis morfológicas: pregas de adiposidade e gordura corporal; variáveis de flexibilidade: flexibilidade de membros inferiores; variáveis de força: battements à retaguarda, elevações do tronco e saltos duplos com a corda; variáveis de treino: volume e tempo de prática; foram as que melhor diferenciaram as ginastas de nível mais elevado (Elite) das ginastas de nível mais baixo (Base e 1ª divisão). Os nossos dados sugerem que mais baixos valores de gordura corporal, elevado comprimento do membro inferior, elevados níveis de flexibilidade e de força, mais baixos valores de assimetria funcional, elevado volume de treino e tempo de prática, assim como maturação tardia marcam o perfil da ginasta portuguesa de excelência.Em ginastas seniores de elite, verificamos que as ginastas brasileiras são mais velhas e têm maior tempo de prática que as ginastas portuguesas, no entanto o volume de treino e a idade de início na GR foram similares. As brasileiras revelaram valores superiores nas medidas antropométricas e composição corporal. Ambos os grupos apresentaram um desenvolvimento maturacional tardio. Em termos motores, as ginastas brasileiras mostraram níveis de força mais elevados que as ginastas portuguesas, enquanto as portuguesas apresentaram menores níveis de assimetria funcional nos testes de flexibilidade. Na análise das características estruturais do treino, 35% da sessão das ginastas de elite brasileiras foi composta por exercícios de intensidade moderada a muito vigorosa. Nas características estruturais da competição, observamos que as ginastas de elite apresentaram, em geral, uma reduzida diversidade e variedade no conteúdo dos exercícios de competição.Por fim, ao centrarmos a nossa atenção no conjunto de indicadores que favorecem o desempenho em GR, no domínio biológico, a gordura corporal foi o principal preditor morfológico, explicando 15.6% do desempenho e o estado maturacional explicou 11.5% com maior vantagem para as ginastas pré-púberes. No domínio motor, a flexibilidade ativa com membro inferior preferido explicou 21.8% e o teste ‘saltos duplos com a corda’ explicou 7.2% da variância do desempenho. No domínio estrutural, 16.7% do desempenho foi explicado pelas variáveis: valor total dos saltos, dos equilíbrios, das rotações e das dificuldades mistas.Das principais conclusões destacamos: (1) as características da morfologia externa das ginastas refletem a seletividade inicial e processual que ocorre na modalidade, enfatizando especialmente a baixa gordura corporal, membros inferiores longos e prevalência da componente ectomorfia no somatótipo; (2) a maturação tardia parece ser comum em ginastas, sobretudo na elite; (3) as exigências motoras da modalidade parecem privilegiar ginastas com elevados níveis de flexibilidade e força, assim como reduzidos níveis de assimetria funcional; (4) a sessão de treino em GR parece ser, em geral, de leve intensidade (os maiores níveis de intensidade de treino correspondem principalmente aos exercícios de competição); (5) os exercícios de competição de ginastas de elite apresentam uma reduzida diversidade, portanto, reforçamos a importância da seleção rigorosa dos elementos durante a composição dos exercícios de competição, assim como a execução técnica e artística, que parecem ter um papel fulcral no desempenho em GR.


Deixe um comentário